A Universidade de São Paulo (USP) criou uma inteligência artificial que permite conversar com mapas e descobrir onde as desigualdades ambientais pesam mais dentro de uma cidade, segundo o Canaltech, em reportagem publicada em 30 de outubro. A assistente se chama Mari e funciona dentro da plataforma UrbVerde, que reúne dados geográficos sobre municípios brasileiros.
O desenvolvimento ficou com o pesquisador Guilherme Henrique Bueno de Freitas, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos (SP). O projeto contou com financiamento da OpenAI. A coordenação do UrbVerde é do professor Marcel Fantin, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP.
Como a Mari responde ao usuário
A plataforma combina dados como temperatura média, áreas com cobertura florestal, presença de parques e ilhas de calor em diferentes municípios. Sistemas de informações geográficas desse tipo costumam exigir familiaridade com softwares de geoprocessamento, o que afasta quem não é do ramo.
A Mari tenta derrubar essa barreira. A assistente se conecta à base de dados do UrbVerde e responde em linguagem natural. Um morador pode perguntar por que o bairro dele é tão quente, e a ferramenta explica os indicadores relevantes e informa a fonte de cada um. A IA também cruza dados e usa a própria interface da plataforma para chegar à resposta.
De acordo com a equipe do projeto, o UrbVerde é o primeiro WebSIG, um sistema de informações geográficas online, gerenciado por comandos de voz na América Latina. A reportagem não traz números de precisão da ferramenta, custos nem a lista de municípios cobertos.
Quem deve usar a ferramenta
O público previsto inclui gestores públicos, professores, estudantes, organizações comunitárias e moradores que querem entender melhor o próprio bairro. Fantin disse ao Jornal da USP que plataformas de mapas e indicadores ainda exigem conhecimento técnico, o que limita o alcance delas. Segundo ele, a interação por voz e em linguagem cotidiana permite perguntar sobre territórios, explorar dados e entender como se distribuem a vegetação, a exposição ao calor e o acesso a parques e praças.
Fantin afirmou esperar que a Mari amplie o acesso à informação ambiental e aproxime o conhecimento produzido na universidade das decisões que afetam o cotidiano das pessoas.
Onde acessar e o que a reportagem não informa
A Mari está disponível no site oficial do UrbVerde, em urbverde.iau.usp.br. Para prefeituras e organizações comunitárias, o uso mais direto é localizar áreas com pouca vegetação e muito calor, candidatas naturais a plantio de árvores e a novos parques.
A reportagem não informa o tamanho do aporte da OpenAI, o critério de escolha das cidades na base de dados nem qualquer avaliação independente das respostas da IA. Quem for usar os resultados em decisão pública deve conferir as fontes que a própria Mari cita junto de cada indicador.



