sábado, 31 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

USP cria a Mari, IA financiada pela OpenAI que explica por que seu bairro é tão quente

A assistente Mari, integrada à plataforma UrbVerde, responde em linguagem natural sobre calor, vegetação e acesso a parques e cita a fonte de cada indicador. O projeto da USP recebeu financiamento da OpenAI.

Mapa urbano com indicadores de calor e áreas verdes em uma grande cidade
A Mari, da USP, responde a perguntas sobre calor e áreas verdes a partir da base de dados da plataforma UrbVerde. Foto: Pexels / Duy Nguyen

A Universidade de São Paulo (USP) criou uma inteligência artificial que permite conversar com mapas e descobrir onde as desigualdades ambientais pesam mais dentro de uma cidade, segundo o Canaltech, em reportagem publicada em 30 de outubro. A assistente se chama Mari e funciona dentro da plataforma UrbVerde, que reúne dados geográficos sobre municípios brasileiros.

O desenvolvimento ficou com o pesquisador Guilherme Henrique Bueno de Freitas, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos (SP). O projeto contou com financiamento da OpenAI. A coordenação do UrbVerde é do professor Marcel Fantin, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP.

Como a Mari responde ao usuário

A plataforma combina dados como temperatura média, áreas com cobertura florestal, presença de parques e ilhas de calor em diferentes municípios. Sistemas de informações geográficas desse tipo costumam exigir familiaridade com softwares de geoprocessamento, o que afasta quem não é do ramo.

A Mari tenta derrubar essa barreira. A assistente se conecta à base de dados do UrbVerde e responde em linguagem natural. Um morador pode perguntar por que o bairro dele é tão quente, e a ferramenta explica os indicadores relevantes e informa a fonte de cada um. A IA também cruza dados e usa a própria interface da plataforma para chegar à resposta.

De acordo com a equipe do projeto, o UrbVerde é o primeiro WebSIG, um sistema de informações geográficas online, gerenciado por comandos de voz na América Latina. A reportagem não traz números de precisão da ferramenta, custos nem a lista de municípios cobertos.

Quem deve usar a ferramenta

O público previsto inclui gestores públicos, professores, estudantes, organizações comunitárias e moradores que querem entender melhor o próprio bairro. Fantin disse ao Jornal da USP que plataformas de mapas e indicadores ainda exigem conhecimento técnico, o que limita o alcance delas. Segundo ele, a interação por voz e em linguagem cotidiana permite perguntar sobre territórios, explorar dados e entender como se distribuem a vegetação, a exposição ao calor e o acesso a parques e praças.

Fantin afirmou esperar que a Mari amplie o acesso à informação ambiental e aproxime o conhecimento produzido na universidade das decisões que afetam o cotidiano das pessoas.

Onde acessar e o que a reportagem não informa

A Mari está disponível no site oficial do UrbVerde, em urbverde.iau.usp.br. Para prefeituras e organizações comunitárias, o uso mais direto é localizar áreas com pouca vegetação e muito calor, candidatas naturais a plantio de árvores e a novos parques.

A reportagem não informa o tamanho do aporte da OpenAI, o critério de escolha das cidades na base de dados nem qualquer avaliação independente das respostas da IA. Quem for usar os resultados em decisão pública deve conferir as fontes que a própria Mari cita junto de cada indicador.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.