terça-feira, 27 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Alcolumbre ganha União e PP, mas oposição diz que ele tem 38 votos, três a menos do que precisa

A federação União Progressista declarou apoio nesta terça (27) à recondução de Davi Alcolumbre, que diz ter 48 votos para a eleição de 1º de fevereiro. A oposição afirma que ele tem 38, três a menos do mínimo de 41.

Davi Alcolumbre conduz sessão no plenário do Senado Federal
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em sessão da Casa; a eleição da próxima Mesa Diretora está marcada para 1º de fevereiro. Foto: Saulo Cruz/Agência Senado / Wikimedia Commons (Attribution)

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciou nesta terça-feira (27) apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) à Presidência do Senado, segundo a CNN Brasil. A nota foi assinada por Antonio Rueda, presidente do União Brasil, e por Ciro Nogueira, presidente do PP. A votação está marcada para 1º de fevereiro.

O texto diz que a continuidade de Alcolumbre contribui para a estabilidade institucional e o equilíbrio político do país. Os dois dirigentes também afirmam que a atuação dele ajuda a preservar a independência do Parlamento e a harmonia entre os Poderes. A nota cita ainda uma trajetória de parceria, confiança e compromisso político entre as legendas e o senador.

A conta dos votos, com dois números em disputa

Alcolumbre afirma ter 48 votos. A oposição contesta e diz que ele tem 38, o que ficaria três abaixo dos 41 necessários para vencer. A reportagem da CNN não informa quantos senadores a federação controla, de modo que o peso exato do anúncio nessa soma não está medido.

Outros partidos já sinalizaram alinhamento. Segundo a CNN, MDB, Republicanos e Podemos indicaram apoio a Alcolumbre, e o PT deve declarar o seu nos próximos dias. Do outro lado, a oposição articula uma candidatura única, mas o nome ainda não foi definido.

O PL e o recálculo do centrão

O PL terá a maior bancada do Senado no ano que vem e estuda lançar candidato próprio. O partido, porém, precisará de votos de legendas de centro para chegar ao mínimo. Os nomes de Rogério Marinho e Tereza Cristina, ambos do PP, chegaram a circular na legenda, de acordo com a CNN.

O anúncio vem depois de um segundo turno em que União Brasil e PP apoiaram Flávio Bolsonaro (PL), derrotado por Lula, reeleito. Ciro Nogueira era aliado de primeira hora de Flávio, mas sua relação com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, veio à tona. A CNN associa a mudança de posição a uma tentativa de reaproximação com o Planalto, em meio ao avanço das investigações do caso Master.

Um apoio dado sem consultar a bancada

A CNN também relata que senadores dizem que Nogueira sinalizou o apoio sem ouvir a bancada do PP. A contrapartida, segundo essa apuração, seria um aceno do União Brasil à recondução de Hugo Motta à Presidência da Câmara. Esse ponto não consta da nota da federação e é atribuído a senadores ouvidos pela emissora.

Na prática, a eleição de fevereiro define quem controla a pauta do Senado no início do novo mandato de Lula, inclusive a tramitação de propostas do governo. Se o apoio do PP se mostrar menos coeso do que a nota sugere, os 38 votos apontados pela oposição ganham peso, e o resultado dependerá de quantos senadores do centro seguirão a orientação dos presidentes de partido.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.