O Ministério da Fazenda formalizou nesta terça-feira (27) a garantia da União para um empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios, contraído junto a um consórcio de quatro bancos, segundo despacho do ministro Dario Durigan publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial da União, de acordo com o g1. O ato chega dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais, que confirmou no domingo (25) a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A garantia é separada do aporte de capital de R$ 6 bilhões já previsto no Orçamento de 2027 para a estatal: trata-se de um financiamento bancário novo, amparado pelo Tesouro.
O consórcio que vai financiar os Correios reúne os bancos ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan, segundo o g1. Os recursos estão vinculados ao Plano de Reestruturação dos Correios, que cobre o período de 2025 a 2027 e busca reequilibrar as contas da estatal depois de sucessivos prejuízos.
Os termos do empréstimo
Reportagens do Estado de Minas e de outros veículos que acompanharam a autorização da Fazenda apontam uma taxa próxima a 114% do CDI para a operação, abaixo do teto de 120% fixado no contrato. O financiamento tem prazo de 15 anos, com três anos de carência antes do início dos pagamentos.
A liberação dos recursos deve ocorrer em duas etapas: R$ 5 bilhões na assinatura do contrato com os bancos, prevista para os próximos dias, e os R$ 2 bilhões restantes até dezembro deste ano, segundo as mesmas reportagens.
O que a garantia da União representa
Uma garantia do Tesouro muda a posição dos Correios diante dos bancos: se a estatal não conseguir pagar as parcelas, a União assume a obrigação de honrar a dívida com o consórcio. O mecanismo costuma reduzir o custo do financiamento para a empresa, mas também cria um passivo potencial para o governo federal.
Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, uma melhora de 5,5% em relação ao prejuízo de R$ 2,53 bilhões no mesmo período de 2025, de acordo com dados citados pelo Estado de Minas. A estatal também depende do aporte de capital de R$ 6 bilhões da União já reservado no Orçamento de 2027 para seguir com a reestruturação.
Quem paga a conta se os Correios não honrarem a dívida
Caso os Correios sejam privatizados antes do fim do contrato, a estatal ou sua sucessora terá de antecipar o pagamento do empréstimo, segundo as condições da garantia relatadas pela imprensa. Isso reduz a margem de negociação de qualquer processo de venda da empresa enquanto a dívida com o consórcio de bancos estiver em aberto.
Para o contribuinte, o risco direto só se materializa se os Correios não gerarem caixa suficiente para pagar os bancos ao longo dos 15 anos de contrato. Até lá, o valor entra como garantia no balanço do Tesouro, não como despesa efetiva, mas soma-se ao cálculo da dívida pública consolidada do governo federal.



