sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · Edição diária

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CSI300 perde 8,5% em outubro e bolsa da China tem pior mês desde 2016 com a venda de ações de IA

O CSI300 fechou outubro com perda de 8,5% e acumula 15% de queda em 12 semanas, a pior sequência já registrada, segundo a Reuters. Xangai ficou em 3.599 pontos, perto da mínima de um ano.

Painel de cotações de uma bolsa de valores na China
As ações chinesas fecharam outubro com a maior queda mensal desde o início de 2016, segundo a Reuters. Foto: Pexels / Rafael Minguet Delgado

As ações da China fecharam outubro com a maior queda mensal desde o início de 2016, em meio a uma nova rodada de vendas de papéis ligados à inteligência artificial, segundo a Reuters, em texto publicado pelo InfoMoney nesta sexta-feira (30). O índice de Xangai (SSEC) recuou 1,44% no dia e terminou a 3.599 pontos, perto da mínima de um ano.

O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, caiu 1,39% na sessão, para 3.985 pontos. No mês, a perda foi de 8,5%, a maior em mais de uma década. Em 12 semanas, o índice acumula queda de 15%, o que a agência descreve como a maior sequência de perdas já registrada.

Tecnologia concentra o estrago

O STAR50, índice de Xangai voltado a empresas de tecnologia, perdeu 5,5% apenas nesta sexta. O CSI 5G Communications recuou 6,2%. A Eoptolink Tech, fabricante de módulos ópticos usados em infraestrutura de dados, caiu 14% no dia e cerca de 50% no mês.

O movimento seguiu uma onda de vendas de ações de tecnologia nos Estados Unidos, que reacendeu dúvidas sobre o retorno dos investimentos pesados em IA. De acordo com a Reuters, Alphabet, Amazon e Intel caíram por causa do alto consumo de caixa com esses projetos. A sul-coreana SK Hynix, gigante de chips de memória, perdeu mais de 7%.

Dinheiro migra para setores defensivos

Nem toda a bolsa chinesa foi para baixo. Os papéis de bens de consumo básico da China continental subiram 2%, e as incorporadoras imobiliárias avançaram 2,8%, sinal de que investidores buscaram setores vistos como menos arriscados. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 1,46%, a 23.294 pontos, com alta de 0,9% na semana, e o setor financeiro ganhou 1,3%.

As grandes empresas de tecnologia listadas em Hong Kong avançaram 0,3%, mas continuam perto da mínima de dois anos, de acordo com a agência.

O contágio pela Ásia

A fraqueza não ficou restrita à China. O Nikkei, de Tóquio, caiu 2,12%, a 63.290 pontos. O Kospi, de Seul, perdeu 3,48%, para 5.730 pontos, e o Taiex, de Taiwan, recuou 2,49%, a 45.211 pontos. Em Cingapura, o Straits Times cedeu 0,42%, a 5.373 pontos. A exceção foi Sydney, onde o S&P/ASX 200 subiu 0,18%, a 8.908 pontos.

O que isso pesa para quem investe

Para o investidor brasileiro, o episódio mostra que a dúvida sobre o retorno da IA deixou de ser um debate restrito a Wall Street e passou a afetar fornecedores de chips, de memória e de equipamentos ópticos em vários países asiáticos. Fundos globais e ETFs de mercados emergentes com peso em tecnologia chinesa tendem a refletir esse recuo nos resultados de outubro.

A matéria da Reuters não traz projeções de analistas sobre a duração da queda. O que os números confirmam até agora é a escala: 15% de perda em 12 semanas no principal índice de grandes empresas da China, concentrada nos papéis que mais se beneficiaram da alta da IA.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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