A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, vê erros tanto de André Mendonça quanto de Alexandre de Moraes nas medidas que colocaram a Corte no centro de uma crise institucional, e ainda não definiu qual dos dois ganhará seu apoio. A Folha de S.Paulo registrou neste sábado (5) que Moraes e Mendonça disputam o voto dela na disputa por hegemonia no tribunal.
O plenário deve deliberar, de um lado, se houve arbitrariedade nos métodos de Mendonça nas apurações do Banco Master e do INSS, que resultaram no relatório da Polícia Federal apontando Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. De outro, se Moraes agiu de forma regular ao usar o inquérito das fake news para pedir investigação contra Mendonça por abuso de autoridade, improbidade e crime de responsabilidade.
Telefone e perplexidade
Antes do contra-ataque de Moraes na quinta (3), Cármen telefonou ao colega e indicou solidariedade pela exposição pública. Moraes leu o gesto como aceno, segundo um auxiliar, sem garantia de apoio em votações futuras. O que veio depois, o uso do inquérito das fake news, também não a agradou. A ministra relatou a uma pessoa próxima perplexidade com os dois colegas e com a erosão interna do Supremo.
Cármen diz a auxiliares que sabe que seu voto está sob disputa, com apostas informais no meio jurídico, e que decidirá só com base nos autos, cuja íntegra ainda não acessou. No mapa do Poder360, quatro ministros tendem a favorecer a apuração de Moraes (Fachin, Fux, Nunes Marques e Mendonça) e três a resistir (Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin). Toffoli se declarou suspeito. Cármen aparece como voto indefinido: se empatar, o resultado favorece a parte sob suspeita.
Dois grupos, uma relatora
Na divisão atual, ela se alinha a Mendonça na defesa de um código de conduta para o STF, proposta da qual é relatora. Por outro lado, acompanhou Moraes em todos os votos da ação penal sobre a tentativa de golpe. Interlocutores afirmam que não tem alinhamento irrestrito com nenhuma ala e que teme impacto catastrófico para a instituição. Em paralelo, neste sábado a associação dos delegados da PF pediu que o procurador-geral Paulo Gonet se declare impedido na apuração sobre o relatório que o cita junto a Moraes.



