domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Gilmar Mendes formaliza proposta para banir policiais e militares dos gabinetes do STF

Texto apresentado a Fachin no sábado amplia a vedação além dos delegados da PF e alcança Forças Armadas, PRF, polícias civis, militares e penais. A iniciativa ganhou força após o atrito entre Mendonça e a cúpula da Polícia Federal no caso Master.

Gilmar Mendes
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal Foto: Elza Fiúza/ABr / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

O ministro Gilmar Mendes formalizou neste sábado (5) uma proposta para vedar a cessão de policiais e militares aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal. O texto foi apresentado ao presidente da Corte, Edson Fachin, e amplia uma sugestão anterior, restrita a delegados da Polícia Federal.

Na versão protocolada, a proibição alcança militares das Forças Armadas, agentes da PF e da Polícia Rodoviária Federal, polícias civis estaduais, polícias militares e corpos de bombeiros, além das polícias penais federal, estaduais e distrital. O Poder360 publicou a íntegra do documento.

Crise Master e policiais cedidos

A iniciativa ganhou força depois do atrito entre o relator das investigações do Banco Master, André Mendonça, e a cúpula da Polícia Federal. Gilmar argumenta que delegados cedidos aos gabinetes podem criar atrito nas apurações que tramitam no próprio tribunal, ao atuar além da condução natural da PF.

Segundo o levantamento do Poder360, o STF conta com cinco policiais cedidos. No gabinete de Mendonça estão Graziela Machado e Thiago Marcantonio. No de Alexandre de Moraes, Fábio Shor e Anderson Antônio Ferreira de Souza. Raphael de Melo Batista atua na Polícia Judicial.

Efeito prático

A retirada dos cedidos mudaria a dinâmica interna dos relatores, em especial nos inquéritos do Master e das fraudes no INSS sob Mendonça. Em junho, quando o Ministério da Justiça pediu a devolução de federais cedidos a dezenas de órgãos, o STF ficou de fora da lista. Cabe a Fachin avaliar a proposta e discuti-la com os demais ministros.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.