domingo, 25 de outubro de 2026 · Edição diária

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CoreWeave obtém linha de até US$ 8,5 bi da Blackstone com chips de IA como garantia

Chips de IA passaram a servir de garantia para financiamentos bilionários, como a linha de até US$ 8,5 bilhões da CoreWeave, ancorada pela Blackstone. O pagamento, porém, depende de contratos como o da Meta, e não da venda dos equipamentos.

Chip de inteligência artificial da Nvidia em imagem ilustrativa
Chips de IA, como os da Nvidia, viraram garantia em financiamentos de infraestrutura que somam dezenas de bilhões de dólares. Foto: Pexels / Nicolas Foster

A CoreWeave anunciou em março de 2026 uma linha de crédito de até US$ 8,5 bilhões, ancorada pela Blackstone Credit & Insurance e estruturada por MUFG e Morgan Stanley, em que os chips de inteligência artificial servem de garantia. A operação, descrita pela Exame neste domingo (25), mostra como o financiamento de GPUs deixou de ser exceção e entrou no portfólio de grandes gestoras.

No modelo, o credor financia a infraestrutura e recebe direitos sobre o equipamento e, conforme o contrato, sobre as receitas da operação. Segundo a Exame, os pagamentos regulares saem do negócio. A garantia funciona como rota de recuperação caso haja inadimplência.

Do US$ 2,3 bi de 2023 à linha de US$ 8,5 bi

A Blackstone participa desse movimento desde operações como a linha de US$ 2,3 bilhões anunciada pela CoreWeave em agosto de 2023, liderada pela Magnetar e por fundos da gestora. A linha de março é maior: o limite inicialmente permitido era de cerca de US$ 7,5 bilhões.

A Exame faz uma ressalva sobre o número: limite contratado não significa valor integralmente sacado. Esse tipo de linha é usado conforme a infraestrutura é construída e amortizado com as receitas. O anúncio de US$ 8,5 bilhões indica o teto da operação, não prova que o dinheiro todo já foi utilizado.

O tomador e dono das GPUs é a CoreWeave Compute Acquisition Co. VIII LLC, uma sociedade de propósito específico. Ter uma entidade assim, ou ter chips como lastro, não torna automaticamente o financiamento uma securitização, que envolve títulos emitidos a investidores e lastreados em ativos ou direitos de pagamento.

O contrato com a Meta sustenta o pagamento

Segundo a Morningstar DBRS, a estrutura se apoia em um contrato de capacidade com a Meta, com pagamentos ligados à capacidade contratada e à disponibilidade esperada. A amortização segue até o vencimento, em 2032, sem depender de refinanciamento.

A agência também aponta riscos de atrasos, de equipamento, de energia e de execução por parte da CoreWeave. Ou seja, o chip como garantia não elimina o risco de crédito. Se o data center atrasa ou a energia não chega, a receita que paga a dívida também atrasa.

O relatório anual da CoreWeave traz outra limitação. A vida útil contábil de seis anos atribuída aos equipamentos não garante que eles manterão valor econômico nesse prazo, porque novas gerações de chips podem acelerar a obsolescência.

A aposta de US$ 35 bi para a Anthropic

O modelo também aparece em outras frentes. A Broadcom, a Apollo e a Blackstone anunciaram em junho a plataforma AI XPV, com tamanho inicial de US$ 35 bilhões para sustentar mais de um gigawatt de capacidade para a Anthropic. A meta é chegar a 20 gigawatts até 2028.

Um documento da Broadcom enviado a reguladores descreve garantias adicionais como condicionais e limitadas, e não como cobertura irrestrita de qualquer perda. O mesmo texto aponta exposição ao crédito dos clientes e à queda no valor dos ativos.

Quem carrega o risco

Para o investidor que compra dívida desse tipo, o ponto central é a solidez do contrato de uso da capacidade, como o da Meta, e não o valor de revenda dos chips. Para as empresas de IA, o crédito garantido por equipamento permite expandir a capacidade sem esperar o caixa. O custo é ficar atrelado a prazos de entrega, a energia disponível e a uma tecnologia que pode envelhecer antes de a dívida vencer em 2032.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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