A Fundação PHP, entidade que financia parte do desenvolvimento da linguagem usada em 69,2% dos sites com tecnologia de servidor identificada, tem uma única funcionária em tempo integral e 14 contratados, em sua maioria de meio período. Os números foram dados pela diretora Elizabeth Barron à agência Reuters e reproduzidos pela Exame neste domingo (25). A medição do uso do PHP é da W3Techs, também de 25 de outubro.
Barron é a funcionária de tempo integral. A fundação conta ainda com conselheiros voluntários. O dado descreve a estrutura da entidade, não toda a comunidade que mantém a linguagem: o PHP é um projeto comunitário, e a fundação financia parte do trabalho sem governá-lo.
Propostas de código quase dobraram em um ano
Segundo Barron, o volume de propostas de mudança no código quase dobrou em um ano, sem aumento comparável no número de colaboradores. Ela afirmou que a inteligência artificial ajuda a produzir essas mudanças, mas que a revisão continua exigindo a experiência de pessoas. Ou seja, a ferramenta acelera quem escreve e deixa o gargalo em quem aprova.
A pressão aparece também na segurança. Em atualização de 21 de outubro, a fundação informou ter tratado 15 vulnerabilidades registradas como CVEs desde 1º de julho. No mesmo período recebeu mais de 100 relatos inválidos, duplicados ou impossíveis de reproduzir, que consomem tempo de análise sem resultar em correção.
A entidade criou uma equipe de segurança em maio de 2026 e fez contratações em julho e em setembro. Pediu apoio recorrente para ampliar a capacidade de resposta.
O que o relatório de 2025 mostra sobre o caixa
O relatório de transparência de 2025, publicado em maio de 2026, registra doações de US$ 730.534. Descontadas as taxas, a receita líquida foi de US$ 645.191. As despesas somaram US$ 784.376, o que deixa uma diferença de US$ 139.185 entre o que entrou e o que saiu. A Exame ressalta que são números de 2025, e não o orçamento de 2026.
Uso alto não significa risco automático
A Exame alerta que o índice de 69,2% vale apenas para os sites em que a linguagem de servidor foi identificada, e não para toda a web. Participação de mercado também não equivale a exposição automática a uma falha: o risco depende das versões em uso, das configurações e das vulnerabilidades específicas.
Na prática, empresas e agências que rodam sites em PHP dependem de uma estrutura de manutenção pequena, financiada por doações que em 2025 ficaram abaixo dos gastos. Quem mantém lojas virtuais, portais e sistemas internos na linguagem tem motivo para acompanhar as atualizações de segurança da fundação e manter as versões em dia. O apelo por apoio recorrente é, para esses usuários, um pedido de financiamento da própria infraestrutura que usam.



