O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, confirmou neste sábado (29) ao Valor que o governo federal vai incluir um aporte de R$ 6 bilhões nos Correios na proposta de Orçamento de 2027, a PLOA. O valor atende a uma cláusula do contrato de empréstimo que a estatal fechou com bancos privados no ano passado.
Os Correios tomaram R$ 12 bilhões emprestados em 2025 com cinco bancos, com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional autorizou um crédito adicional de até R$ 8 bilhões à estatal, o que elevou o limite total da linha para R$ 20 bilhões.
Por que os Correios pedem socorro
A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, três vezes o resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024. A receita bruta somou R$ 17,3 bilhões, queda de 11,35% em relação ao ano anterior, e o patrimônio líquido terminou o período negativo em R$ 13,1 bilhões.
O quadro não melhorou no início deste ano. No primeiro trimestre de 2026, os Correios registraram prejuízo de R$ 3,158 bilhões, quase o dobro dos R$ 1,725 bilhão perdidos no mesmo período de 2025.
O crédito que amarra o governo
O contrato do empréstimo de R$ 12 bilhões prevê que a União injete recursos nos Correios entre 2026 e 2027 para reforçar o caixa da empresa. Caso o aporte não ocorra, a dívida contratada perde o parcelamento e o governo precisa quitar o crédito de uma só vez, segundo apuração do Valor e da CNN Brasil.
Na sexta-feira (28), o Valor havia noticiado dúvida sobre se parte do aporte sairia ainda em 2026. Moretti disse considerar mais provável que a integralização dos R$ 6 bilhões ocorresse apenas em 2027, dentro do novo Orçamento, mas a decisão final sobre antecipar ou não parte do valor para este ano cabe ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo tem até segunda-feira (31) para enviar o PLOA de 2027 ao Congresso.
Quem paga a conta do resgate
Segundo o Metrópoles, a operação será registrada como crédito, com impacto no resultado nominal do governo, mas sem efeito direto no resultado primário. Na prática, o dinheiro não sai do caixa como despesa corrente, mas entra como financiamento a uma estatal que já deve R$ 20 bilhões a bancos privados com aval do Tesouro.
O aporte disputa espaço com outras despesas do Orçamento de 2027 e pode levar a equipe econômica a usar bloqueios ou contingenciamento ao longo do ano para manter as contas dentro da meta fiscal. Se os Correios não conseguirem se recuperar, o risco final do empréstimo recai sobre o contribuinte, garantidor de última instância da dívida da estatal.
Fontes consultadas
- Valor Econômico — Governo vai incluir aporte de R$ 6 bilhões nos Correios no Orçamento de 2027
- Metrópoles — Governo prevê empréstimo de R$ 6 bilhões aos Correios no Orçamento de 2027
- Folha Mercado — Proposta de Orçamento de 2027 vai incluir aporte de R$ 6 bilhões nos Correios
- CNN Brasil — Prejuízo dos Correios triplica em 2025 e alcança R$ 8,5 bilhões
- CNN Brasil (blog) — Correios tentam obter aporte de R$ 6 bilhões do governo federal



