sexta-feira, 2 de outubro de 2026 · Edição diária

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Ex-presidente da Caixa lidera plano de Flávio Bolsonaro para cortar 1.000 regras tributárias

Ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ela coordena 27 grupos que já mapearam 1.000 normas tributárias para revogação nos cem primeiros dias de um eventual governo de Flávio Bolsonaro, segundo o Brazil Journal.

Daniella Marques, economista e coordenadora da área econômica da campanha de Flávio Bolsonaro
Daniella Marques lidera os grupos técnicos que prepararam o plano de revogação de normas tributárias para os cem primeiros dias de um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Foto: Pexels

Daniella Marques, de 46 anos, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, assumiu a coordenação da área econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Ela já tem um número para apresentar ao eleitorado: a equipe mapeou 1.000 normas tributárias candidatas a revogação nos cem primeiros dias de um eventual governo, segundo reportagem do Brazil Journal publicada em 1º de outubro.

Formada em economia pela PUC-Rio, Marques é filha de um bancário que trabalhou como escriturário e depois como gerente de uma agência do Banco do Brasil em Barra Mansa, no interior do Rio de Janeiro. Fez estágio no Banco Prosper, atuou como gestora de fundos na Mercatto e, a partir de 2013, dirigiu as áreas de compliance, risco e operações na Bozano Investimentos, formada pela fusão entre a própria Mercatto, a BR Investimentos de Paulo Guedes e o family office de Julio Bozano.

Entre 2019 e 2022, ocupou a Secretaria de Produtividade e Competitividade no Ministério da Economia do governo Jair Bolsonaro. Depois assumiu a presidência da Caixa Econômica Federal, onde criou o programa Caixa pra Elas, voltado ao combate à violência contra a mulher e levado a mil agências do banco.

Os 27 grupos por trás do plano de 100 dias

Na campanha de Flávio Bolsonaro, Marques coordena 27 grupos temáticos que preparam documentos de política pública para os primeiros cem dias de um eventual mandato. O levantamento sobre normas tributárias é um dos resultados já concluídos, segundo o Brazil Journal.

A frase é de Daniella Marques, em entrevista à reportagem. O plano está organizado em três frentes: ajuste fiscal e reforma administrativa no campo macroeconômico, produtividade e segurança jurídica com redução de burocracia tributária no campo microeconômico, e empreendedorismo como via de mobilidade social no eixo de inclusão.

Marques chama o programa de capitalismo popular. A proposta, segundo ela, busca destravar empresas que não conseguem contratar enquanto parte da população permanece pobre.

A frase também é de Daniella Marques. A rotina de campanha inclui visitas a nove estados e dezenas de podcasts, com reuniões que vão de dirigentes da Fiesp e do conselho do Itaú a grupos evangélicos e feirantes, de acordo com o Brazil Journal. Em uma visita ao Brás, em São Paulo, um feirante disse a ela: "Você parece aquela mulher brava que fica sempre do lado do Flávio Bolsonaro". O próprio candidato já a descreveu como "meu braço direito, esquerdo, minha perna direita e minha perna esquerda". Na coordenação da campanha, ela trabalha ao lado do senador Rogério Marinho, do Rio Grande do Norte.

O prazo que testa o plano tributário

O Brazil Journal não detalha quantas das 1.000 normas dependem apenas de decreto ou portaria presidencial e quantas exigiriam projeto de lei no Congresso. Também não explica como o ajuste fiscal do pilar macroeconômico seria equacionado junto à redução de carga regulatória. Revogar regras infralegais pode ser rápido, mas o grosso da arrecadação tributária está em lei aprovada pelo Legislativo, onde qualquer governo eleito em 2026 precisará costurar maioria para avançar a desburocratização sem comprometer as contas públicas.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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