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Data center em São Paulo custa US$ 11,66 por watt, 22% menos que no Vale do Silício

Índice da Turner & Townsend com 62 mercados põe São Paulo em 30º lugar, com US$ 11,66 por watt contra US$ 15,01 no Vale do Silício. A capital paulista, porém, ficou 8,5% mais cara que na edição anterior.

Corredor de servidores em um data center
Data centers concentram a disputa por investimentos em infraestrutura de inteligência artificial; São Paulo ficou em 30º entre 62 mercados no índice de custo de construção. Foto: Pexels / Malcoln Oliveira

Construir um data center em São Paulo custa US$ 11,66 por watt de capacidade elétrica instalada, contra US$ 15,01 no Vale do Silício, uma diferença de 22%. Os números são da décima edição do Data Center Construction Index, da consultoria britânica Turner & Townsend, divulgada nesta sexta-feira (31) e reportada pela Exame.

O índice reúne mais de 500 projetos em andamento ou recém-concluídos em 62 mercados e ouviu mais de 400 especialistas do setor. A métrica é o custo de obra por watt, o que permite comparar projetos de tamanhos diferentes. Ela não tem relação com a conta de luz paga depois que o prédio opera.

O que a diferença representa em dólares

Para um empreendimento típico de 60 megawatts (MW), a conta fica em cerca de US$ 700 milhões em São Paulo e perto de US$ 900 milhões no Vale do Silício, berço das big techs que lideram a corrida da IA. Em relação a Tóquio, a mais cara do ranking, com US$ 18,28 por watt, a capital paulista sai 36% mais barata.

A Virgínia do Norte, considerada o maior mercado de data centers do mundo, aparece com US$ 11,80 por watt, pouco acima de São Paulo. O Rio de Janeiro está em 20º, com US$ 12,59, ou 8% acima da capital paulista, e é o mercado mais caro da América Latina no levantamento. Monterrey, no México, ocupa o 23º lugar, e Querétaro, o 32º. No outro extremo, Xangai (US$ 5,79) e Mumbai (US$ 6,83) têm os menores custos.

São Paulo ficou mais cara em um ano

Na edição anterior, São Paulo marcava US$ 10,75 por watt e liderava os custos na América Latina. O valor subiu 8,5% e chegou a US$ 11,66. A Virgínia do Norte também encareceu, de US$ 10,92 para US$ 11,80, em ritmo próximo ao paulistano, segundo a reportagem. A Exame não detalha por que cada mercado tem o custo que tem.

Henrique Cicchetto, diretor de Real Estate da Turner & Townsend no Brasil, afirmou em nota que a posição de São Paulo e do Rio no índice reforça o país como principal polo de infraestrutura de data centers da América do Sul. Ele citou a matriz energética diversificada, a demanda por nuvem e o avanço da IA como fatores que mantêm o Brasil no radar de investidores e de hyperscalers.

Energia e mão de obra pesam mais que o preço da obra

A pesquisa com especialistas aponta que o custo de construção não é o principal entrave. Para 56% dos entrevistados, o fornecimento de eletricidade é um obstáculo crítico. Entre eles, 52% dizem que a conexão à rede leva de um a dois anos, e 32% relatam prazos acima de 24 meses. Outros 81% veem restrições moderadas ou severas na oferta de mão de obra qualificada.

A demanda por IA agrava o problema: 52% dos consultados preveem que, até 2027, a maior parte de seus projetos será voltada a cargas de trabalho dessa tecnologia, que exigem estruturas de escala de gigawatts e refrigeração líquida, mais complexa de construir. Lloyd Wallace, diretor de Real Estate e Data Centers da empresa na América Latina, afirmou em nota que os gargalos são a viabilidade elétrica, a eficiência hídrica e a disponibilidade de mão de obra especializada.

O que o índice significa para o investimento no Brasil

O custo menor que o americano ajuda o argumento brasileiro na disputa por capital, num momento em que o Redata, regime de incentivos fiscais aprovado pelo Senado em setembro, tenta atrair projetos. A demanda local está concentrada no estado de São Paulo, com a capital e Campinas como principais polos. Quem decide onde construir, porém, olhará primeiro a data de conexão à rede elétrica, que a pesquisa indica ser o gargalo mais citado.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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