sábado, 31 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Sam Altman vai à Samsung enquanto a memória responde por um terço do gasto com data centers

O CEO da OpenAI se reuniu com executivos da Samsung na Coreia do Sul neste sábado (31) para ampliar a cooperação em memória e infraestrutura de IA, num mercado em que os cinco maiores players planejam gastar mais de US$ 3 trilhões.

Chips de memória em placa de circuito, componente central dos data centers de inteligência artificial
A memória responde por cerca de um terço dos gastos com data centers, segundo o Olhar Digital. Foto: 首相官邸ホームページ / Office of the Prime Minister of Japan Official / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O CEO da OpenAI, Sam Altman, esteve na Coreia do Sul neste sábado (31) para se reunir com executivos da Samsung, segundo o Olhar Digital. A pauta foi a cooperação em chips de memória e em infraestrutura de inteligência artificial, num momento em que a falta de vários tipos de memória pressiona a indústria eletrônica global e empurra os preços dos componentes para cima.

De acordo com comunicado da empresa sul-coreana, as conversas trataram de como a tecnologia pode transformar indústrias, a tomada de decisões nas empresas e as oportunidades de negócios ao longo da próxima década. A reportagem não informa o local exato da reunião, o nome dos executivos da Samsung presentes nem qualquer acordo novo fechado no encontro.

A memória virou o gargalo dos data centers

A pressão sobre a oferta vem dos operadores de data centers, que disputam o mesmo estoque de componentes. Segundo o Olhar Digital, os cinco maiores participantes da corrida por infraestrutura de IA planejam gastar mais de US$ 3 trilhões (mais de R$ 16 trilhões) nos próximos anos, e a memória responde por cerca de um terço do gasto com data centers. A reportagem não cita a origem desses dois números, e por isso eles devem ser lidos como estimativas do veículo.

Executivos do setor têm alertado que a produção de chips tem dificuldade para acompanhar a demanda. Nesse quadro, uma conversa direta com a cúpula de um dos grandes fabricantes é uma forma de tentar garantir volume de fornecimento num mercado apertado. Essa é uma interpretação possível da visita, não algo declarado pelas empresas.

O que já estava combinado entre OpenAI e Samsung

O encontro amplia uma parceria anunciada antes para o fornecimento de chips de memória ao Stargate, projeto de infraestrutura da OpenAI, e para a cooperação em data centers de IA, incluindo instalações flutuantes offshore. A Samsung também está acelerando o uso de IA nos próprios negócios, da pesquisa e da manufatura ao marketing e às operações corporativas, de acordo com o comunicado citado pelo veículo.

Altman é o mais recente líder de uma empresa de tecnologia dos Estados Unidos a visitar a Coreia do Sul, país descrito pela reportagem como líder em memória avançada e onde a adoção de IA avança entre empresas e consumidores. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, e a CEO da AMD, Lisa Su, estiveram lá duas vezes desde o ano passado para fortalecer laços na cadeia de suprimentos.

Quem sente a escassez de memória

O efeito para o comprador comum é indireto. Quando a memória fica escassa, os preços dos chips sobem, e a pressão chega à indústria eletrônica como um todo, que é o setor que o Olhar Digital descreve como afetado. Empresas brasileiras que compram equipamentos importados, de servidores a computadores, ficam expostas a esse custo.

Até agora, segundo a reportagem, não há volumes, prazos nem preços de um novo contrato entre OpenAI e Samsung. A visita mostra intenção, e o preço da memória continua dependendo de quanto a indústria consegue produzir diante dos mais de US$ 3 trilhões de investimento planejado pelas grandes empresas de IA.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.