O setor financeiro brasileiro caminha para uma divisão em dois grupos, separados pela adoção de inteligência artificial. A conclusão é de um relatório do Goldman Sachs, baseado no índice de maturidade em IA da plataforma Evident, que aponta Nubank e Itaú Unibanco como líderes consolidados na América Latina. Segundo o banco americano, a distância para os concorrentes tende a aumentar até se tornar, nas palavras do estudo, "impossível de ser reduzida".
A metodologia explica parte do resultado. Da nota final, 45% vêm da densidade de talento (a proporção de funcionários dedicados a IA), 30% de inovação, 15% de liderança e 10% de transparência. "O talento é considerado o principal fator determinante para a implementação bem-sucedida da IA no setor financeiro", afirma o banco americano. Nubank, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil ocupam, nessa ordem, as quatro primeiras posições regionais.
O retorno vem de dentro do banco
O relatório derruba uma expectativa comum: a de que IA em banco é, sobretudo, produto para o cliente. Na prática, 85% dos casos de uso mapeados estão voltados para eficiência interna, e 86% do retorno sobre o investimento vem de ganhos de produtividade (o equivalente a uma ou duas horas de trabalho por funcionário por semana). É esse ganho que os líderes reinvestem em expansão e contratação, o que amplia a distância que os concorrentes tentam cobrir.
Nubank e o estágio em IA
O exemplo prático apareceu no próprio Nubank. Ao lançar o Croma, sua frente para o segmento de médias empresas, o vice-presidente Túlio Oliveira disse que a IA foi decisiva para entregar o projeto "em um prazo significativamente menor" do que o habitual. Em 17 de agosto, o banco abriu o Programa de Estágio 2027 com 50 vagas focadas em inteligência artificial; as inscrições vão até 30 de agosto.
CEOs cobram agenda fiscal dos candidatos
Na Febraban Tech 2026, os presidentes de Itaú, Santander, Bradesco, BTG, Nubank e Caixa foram unânimes ao descrever a IA como a mudança mais profunda na forma de fazer negócios do setor. Aproveitaram o evento para cobrar dos candidatos à Presidência uma agenda fiscal clara. Para o mercado, os bancos que já colhem produtividade têm menos pressa por juros baixos do que aqueles que ainda pagam a conta da transformação.



