O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, revelou na decisão que autorizou nesta segunda-feira (14) a terceira fase da Operação Transparência que a advogada Valéria Rodrigues Linhares, esposa do deputado Cezinha de Madureira (PL), portava R$ 510 mil em dinheiro vivo quando a Polícia Federal apreendeu a quantia no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 25 de agosto.
O documento, com sigilo parcialmente levantado, descreve a suspeita de que o parlamentar usava a função para passar a terceiros a impressão de influência sobre ministros de tribunais superiores. Dino deferiu mandados de busca e apreensão contra Cezinha, Valéria e a sociedade individual de advocacia dela, em endereços no Distrito Federal e em São Paulo. Negou, porém, busca no gabinete do deputado na Câmara, por fundamentação insuficiente.
O que a PF aponta
Segundo relatório parcial citado por Dino, mensagens no celular da advogada Mariângela Fialek mostram Valéria negociando contratos de honorários ligados a pedidos que Cezinha faria a ministros. A PF fala em vantagens indevidas de até R$ 2 milhões em troca de comprovação de contatos com relatores. Os investigadores ressaltam que os magistrados citados aparecem só como destinatários cogitados da influência anunciada, sem indício de solicitação ou recebimento de vantagem por integrante do Judiciário.
Para a corporação, os R$ 510 mil em espécie na bagagem de mão de Valéria, que embarcava para Brasília, reforçam a hipótese de liquidação de vantagens "por transporte físico de numerário", à margem do sistema bancário. A defesa da advogada alegou tratar-se de honorários advocatícios.
Avocação no STF
Na mesma decisão, Dino trouxe para sua relatoria os procedimentos sobre a apreensão em Congonhas e conectou a apuração ao inquérito de tráfico de influência, exploração de prestígio, lavagem de dinheiro e corrupção passiva. A Agência Brasil e o g1 registraram a divulgação nesta segunda; a defesa de Cezinha nega irregularidades e pede apuração com distância do calendário eleitoral.



