A defesa do senador Ciro Nogueira (PP-PI) pediu ao Supremo Tribunal Federal a liberação de um jatinho Beechcraft King Air B200, uma BMW M440i e mais de R$ 10 milhões bloqueados na Operação Compliance Zero. Em troca, oferece um imóvel em Teresina (PI) avaliado pela defesa em cerca de R$ 19 milhões, mais R$ 3 milhões em dinheiro.
Os bens foram atingidos na apuração da Polícia Federal sobre se o presidente do PP, ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, recebia mesada de R$ 500 mil do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O pedido foi protocolado em junho junto ao ministro André Mendonça, relator no STF, e ainda não teve resposta.
PGR contesta o valor do terreno
O imóvel tem 6,9 mil m² e quatro lotes. Em 2023, a CNFL, empresa ligada a Ciro, comprou o conjunto por R$ 3,3 milhões, já com casa no local, segundo documentos de compra e venda obtidos pela Folha. A avaliação de R$ 19 milhões apresentada agora é quase seis vezes o preço da aquisição.
A Procuradoria-Geral da República rebate. Paulo Gonet aponta "expressiva disparidade" entre as escrituras e as avaliações unilaterais, cita "ausência de liquidez" dos imóveis e diz que as propostas são insuficientes para garantir o valor dos danos. A PGR também lembra que o bloqueio serve para inibir a continuidade da atividade investigada.
O que a PF bloqueou
Relatório de agosto da PF registra bloqueios financeiros acima de R$ 10,2 milhões contra o senador, entre contas, aplicações e ações. A Anac identificou e bloqueou o jatinho de sete lugares no nome de Ciro. Na casa dele em Brasília, a PF apreendeu a BMW e uma motocicleta. A CNFL teve cerca de R$ 300 mil e um consórcio bloqueados.
Mendonça havia limitado a restrição patrimonial a até R$ 18,5 milhões por investigado. Defesas de Ciro e da CNFL alegam "excesso de bloqueio" e pedem que só o terreno de Teresina fique retido, com liberação do restante. Ciro não respondeu aos questionamentos da Folha até a publicação de 14 de setembro.



