Os cerca de 210 milhões de eleitores dos Estados Unidos votam na próxima terça-feira (3) para escolher os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado, informou a Agência Brasil neste domingo (1º). Também serão eleitos governadores em 36 dos 50 estados. O resultado define quanto controle o Legislativo terá sobre Donald Trump nos dois anos finais do mandato.
Hoje os republicanos têm maioria apertada nas duas Casas, o que dá ao presidente mais liberdade para aplicar suas políticas. As pesquisas indicam vitória democrata, em parte pelo aumento do custo de vida. A guerra que Trump iniciou contra o Irã é apontada como uma das causas da inflação, porque as restrições à navegação no Estreito de Ormuz encareceram os combustíveis.
Desaprovação de 61% e a promessa de US$ 5 mil
Segundo a média de pesquisas calculada pelo jornal The New York Times, a desaprovação de Trump chegou a 61%, contra 36% de aprovação. Nesse quadro, o presidente prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto do país se os republicanos vencerem na Câmara e no Senado, e tem viajado para fazer campanha para aliados.
Trump também tem levantado dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral. Em 2020, ao perder para Joe Biden, acusou fraude sem apresentar provas. Na semana passada, ao ser questionado por jornalistas, disse que respeitaria o resultado "se forem eleições honestas".
O que a Câmara pode fazer com o Brasil
Paulo Abraão, diretor-executivo da Brazil Office Alliance, organização que reúne pesquisadores brasileiros nos EUA, disse à Agência Brasil que uma Casa nas mãos da oposição pode ampliar investigações, exigir explicações do governo e dificultar a agenda legislativa. Ele afirmou que o controle da Câmara pesa especialmente na fiscalização, e que o do Senado dá voz sobre a nomeação de autoridades e juízes.
Para o Brasil, a mudança teria efeito direto. Os democratas já questionam a Casa Branca por carta sobre supostas interferências de Trump no país, como o financiamento americano a campanhas contra o Supremo Tribunal Federal, a ação da Meta na eleição brasileira e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti. Na quinta-feira (30), cobraram explicações sobre o envolvimento da Casa Branca na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país, apesar de a Justiça brasileira ter proibido a viagem. Flávio responde a processos por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas.
Abraão apontou que uma apuração parlamentar poderia examinar a denúncia de que a Meta favoreceu Flávio na campanha. A empresa atribuiu a queda de alcance de contas ligadas a Lula a "problemas técnicos". Segundo o especialista, "uma mudança no controle do Congresso pode transformar cobranças, hoje expressas em cartas, em investigações com maior capacidade de produzir provas e exigir respostas".
Os limites de uma vitória democrata
O próprio Abraão ressalvou que nada disso é automático. Depende das prioridades da nova maioria e pode esbarrar em resistência e em disputas judiciais. Na política externa, a Presidência americana mantém ampla margem de ação mesmo sem maioria no Parlamento: um Congresso mais independente eleva os custos políticos e fiscaliza decisões, mas não comanda a diplomacia.
Se os republicanos mantiverem as duas Casas, Trump terá condições mais favoráveis para avançar a agenda, ainda que persistam divergências dentro do partido. Para o governo Lula, que vive atritos com Washington desde o tarifaço, a diferença está entre uma Casa Branca blindada e uma sob investigação a partir de janeiro.



