segunda-feira, 2 de novembro de 2026 · Edição diária

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Eleitores dos EUA votam de mau humor: preços e salários subiram 5,5% desde Trump, e o Fed já elevou juros

Às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro, inflação elevada, guerra com o Irã e hipotecas acima de 7% pesam no humor do eleitor americano, apesar de desemprego de 4,2% e PIB de 3,4% no trimestre.

Eleitores americanos em fila de votação nos Estados Unidos
Os americanos votam em 3 de novembro em eleições que decidem se os republicanos de Donald Trump mantêm o controle do Congresso. Foto: Pexels / Edmond Dantès

Os eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça-feira (3) nas eleições legislativas com a economia no centro das preocupações e, em boa parte, atribuindo a inflação a Donald Trump, segundo reportagem da Reuters publicada pela Agência Brasil nesta segunda-feira (2). O presidente não está na cédula, mas a votação define se o Partido Republicano mantém o controle do Congresso.

Os números, de acordo com a Reuters, mostram um quadro mais complexo que o humor das ruas. O desemprego ficou em 4,2% em setembro e não passou de 4,5% por cinco anos seguidos, o período mais longo já registrado. Os pedidos semanais de seguro-desemprego estão perto do menor nível em 57 anos.

Emprego, bolsa e IA seguram a atividade

A economia americana cresceu 3,4% em ritmo anualizado no último trimestre, o melhor resultado do ano, segundo dados divulgados na semana passada. O investimento das empresas avançou 12,7% no mesmo critério, puxado pela demanda ligada à inteligência artificial. Os principais índices de ações dos EUA registraram dezenas de recordes em 2026, e os gastos das famílias de renda mais alta, amparados nessa valorização, ajudaram a sustentar o consumo.

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou à CNBC que as pesquisas com consumidores soam pessimistas, mas que o comportamento de compra e o das empresas estão sólidos. As sondagens de confiança divergem entre si: o indicador do Conference Board melhorou em outubro, enquanto o da Universidade de Michigan ficou perto da mínima histórica.

Preços e salários andam juntos, e o bolso não sente alívio

A inflação, mais baixa que o pico de 2022 mas acima da meta de 2% do Fed, é o ponto de atrito. Durante boa parte do segundo mandato de Trump, os salários subiam mais que os preços. Neste ano a relação se inverteu, depois que EUA e Israel atacaram o Irã, numa guerra que já dura oito meses e encareceu os combustíveis no mundo. A demanda por IA também pressiona os preços, dizem formuladores de política monetária do Fed e economistas ouvidos pela Reuters, e o crescimento dos salários desacelera.

Pelos dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho, os preços ao consumidor e a remuneração média por hora subiram cerca de 5,5% desde janeiro de 2025. Em poder de compra, o trabalhador americano não está pior que no dia da posse de Trump, mas também não está melhor.

Fed sobe juros e hipoteca passa de 7% ao ano

O Fed elevou a taxa básica em setembro e deve subir de novo em dezembro. O presidente do banco central, Kevin Warsh, descreve o movimento como um remédio monetário para reduzir a inflação sem lançar pessoas ao desemprego. Os juros de longo prazo também subiram: as hipotecas de 30 anos passaram de 7% ao ano e, com a oferta curta de imóveis, comprar uma casa ficou fora do alcance de muita gente.

A reportagem registra ainda sinais de fragilidade no setor que sustentou a bolsa. Balanços de empresas como Amazon e Intel alimentaram dúvidas sobre a sustentabilidade do boom de gastos com IA e levaram o Nasdaq Composite a uma queda forte às vésperas da votação. Para o eleitor, o efeito imediato é um financiamento mais caro para a casa e o carro, enquanto o ganho com a bolsa depende de um setor que passou a ser questionado.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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