segunda-feira, 2 de novembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Midterms dos EUA decidem quais big techs mantêm a vantagem em Washington

A votação de terça-feira (3) pode dar à oposição poder para convocar executivos e barrar gastos. Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta planejam mais de US$ 1 trilhão em data centers.

Capitólio dos Estados Unidos, sede do Congresso americano, em Washington
O Congresso americano é eleito em parte nesta terça-feira (3), e o resultado define o grau de fiscalização sobre empresas. Foto: Pexels / Ben Kelsey

As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem redefinir quais empresas preservam suas vantagens em Washington, segundo reportagem do Olhar Digital baseada em informações da CNBC publicada nesta segunda-feira (2). O foco está em cinco setores: big techs de inteligência artificial, defesa, saúde, criptomoedas e bancos.

O peso do resultado depende de quem controla o Congresso. De acordo com a reportagem, uma vitória democrata em uma ou nas duas casas daria ao partido poder para investigar empresas, questionar gastos federais e exigir concessões. O presidente Donald Trump manteria o poder de veto e a autoridade sobre tarifas, imigração e regulação federal.

Big techs sob risco de convocação

Com maioria em alguma das casas, a oposição poderia convocar executivos para depor e pedir documentos. Parlamentares já enviaram pedidos de explicação a Apple, Nvidia, Cisco e Salesforce sobre projetos ligados ao governo e isenções de importação. Mesmo sem irregularidade comprovada, afirma a reportagem, investigações desse tipo podem fazer as ações oscilarem.

A inteligência artificial é o ponto mais sensível. A Casa Branca pressiona pela construção de mega data centers, e Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta planejam investir mais de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões, na conversão do veículo). A população resiste por causa do consumo de água, da conta de luz e de outros efeitos locais.

O Congresso está dividido sobre obrigar as big techs a pagar pelos custos de energia dessas estruturas. Segundo o texto, governos locais e agências estaduais terão peso decisivo nessa disputa, porque são eles que autorizam as obras e definem tarifas.

Saúde e defesa dependem do orçamento

Na saúde, os cortes previstos no Medicaid, programa público de seguro, podem reduzir a receita de seguradoras e aumentar o prejuízo de hospitais. A oposição tenderia a tentar barrar esses cortes, o que mudaria a conta dessas empresas.

Na defesa, a Casa Branca pede orçamentos bilionários e busca compras de longo prazo, como centenas de caças da Lockheed Martin, que precisam do aval do Congresso. Programas voltados à China e à modernização de mísseis têm apoio dos dois partidos, o que reduz o risco para os fornecedores desses contratos.

Cripto e bancos aguardam regras

A Coinbase busca uma legislação clara para o setor. Projetos apoiados pelo governo travaram no Senado, e a chegada de parlamentares de oposição pode trazer exigências mais duras de proteção ao consumidor. Já os bancos querem estabilidade nas regras de capital do Federal Reserve, e o controle do Senado define quem ocupa os cargos de comando nesses órgãos.

Para o investidor brasileiro com exposição a ações americanas, direta ou por fundos, o resultado de terça-feira tende a mexer primeiro nos papéis de tecnologia e de saúde. O efeito depende de qual partido ficar com cada casa do Congresso e de como a oposição usar seu poder de investigação.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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