domingo, 1 de novembro de 2026 · Edição diária

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Fonteles lidera a disputa pela Fazenda de Lula, que decide após 16 de novembro

Reeleito, Lula tem Rafael Fonteles como nome mais cotado para a Fazenda, mas ainda sem convite. A escolha vem com uma proposta orçamentária de superávit de R$ 18,6 bilhões e um Senado em que o PT terá só 9 cadeiras.

Governador Rafael Fonteles, apontado como favorito para o Ministério da Fazenda
Rafael Fonteles (PT), governador do Piauí, é o nome mais cotado para comandar a Fazenda no quarto mandato de Lula, segundo o InfoMoney. Foto: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação from Brasília - / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A formação da equipe econômica do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está entre as primeiras decisões do presidente reeleito, segundo reportagem publicada neste domingo (1º) pelo InfoMoney. O nome mais cotado para o Ministério da Fazenda é o do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), embora não haja convite formal, de acordo com o site.

A definição deve sair nas próximas semanas, depois da viagem internacional de Lula, que termina em 16 de novembro. Até lá, o mercado acompanha os sinais de quem assume a pasta e de quais medidas fiscais o governo levará ao Congresso em 2027.

Quem está na fila para a Fazenda

Segundo o InfoMoney, Lula teria sinalizado interesse em Fonteles. O governador foi secretário da Fazenda do Piauí, presidiu o Comsefaz, o comitê que reúne os secretários estaduais de Fazenda, e participou das discussões da reforma tributária. Ele afirmou não ter tratado do assunto com o presidente. Para ocupar o ministério, teria de deixar o governo estadual, cargo para o qual foi reeleito.

O atual ministro, Dario Durigan, também está na disputa. Ele assumiu a Fazenda quando Fernando Haddad saiu para concorrer ao governo de São Paulo e foi secretário-executivo da pasta durante a maior parte do terceiro mandato de Lula. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aparece entre os citados.

A lista inclui ainda Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Camilo Santana (PT-CE) e Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes, completam os nomes lembrados. Nenhum deles recebeu indicação formal, informou a reportagem.

O ajuste que espera o novo ministro

A equipe discute revisar gastos obrigatórios, reduzir benefícios tributários e mudar as regras de crescimento dos pisos constitucionais de saúde e educação. Esses pisos estão atrelados à arrecadação, e qualquer alteração exigiria emenda constitucional, o que depende de votos no Congresso.

A proposta orçamentária do Executivo prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. O resultado depende do comportamento das receitas e das despesas e da aprovação dos parlamentares, de acordo com o InfoMoney.

Um Congresso mais à direita para negociar

O governo precisará construir maioria em um Congresso descrito pela reportagem como mais à direita. No Senado, o PT terá apenas nove senadores. Os novos parlamentares tomam posse em fevereiro de 2027, e a negociação antes dessa data pode definir quanto do ajuste avança.

Na prática, o primeiro passo da nova equipe será separar o que o Executivo pode fazer por conta própria do que precisa de aprovação legislativa. Mudanças em benefícios tributários e nos pisos de saúde e educação ficam no segundo grupo. A composição do time também indicará o grau de continuidade em relação ao terceiro mandato, e a reação dos juros futuros e do câmbio será o primeiro termômetro do mercado.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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