A formação da equipe econômica do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está entre as primeiras decisões do presidente reeleito, segundo reportagem publicada neste domingo (1º) pelo InfoMoney. O nome mais cotado para o Ministério da Fazenda é o do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), embora não haja convite formal, de acordo com o site.
A definição deve sair nas próximas semanas, depois da viagem internacional de Lula, que termina em 16 de novembro. Até lá, o mercado acompanha os sinais de quem assume a pasta e de quais medidas fiscais o governo levará ao Congresso em 2027.
Quem está na fila para a Fazenda
Segundo o InfoMoney, Lula teria sinalizado interesse em Fonteles. O governador foi secretário da Fazenda do Piauí, presidiu o Comsefaz, o comitê que reúne os secretários estaduais de Fazenda, e participou das discussões da reforma tributária. Ele afirmou não ter tratado do assunto com o presidente. Para ocupar o ministério, teria de deixar o governo estadual, cargo para o qual foi reeleito.
O atual ministro, Dario Durigan, também está na disputa. Ele assumiu a Fazenda quando Fernando Haddad saiu para concorrer ao governo de São Paulo e foi secretário-executivo da pasta durante a maior parte do terceiro mandato de Lula. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que acumulou a Vice-Presidência com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aparece entre os citados.
A lista inclui ainda Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Camilo Santana (PT-CE) e Renan Filho (MDB-AL), ex-ministro dos Transportes, completam os nomes lembrados. Nenhum deles recebeu indicação formal, informou a reportagem.
O ajuste que espera o novo ministro
A equipe discute revisar gastos obrigatórios, reduzir benefícios tributários e mudar as regras de crescimento dos pisos constitucionais de saúde e educação. Esses pisos estão atrelados à arrecadação, e qualquer alteração exigiria emenda constitucional, o que depende de votos no Congresso.
A proposta orçamentária do Executivo prevê superávit primário de R$ 18,6 bilhões. O resultado depende do comportamento das receitas e das despesas e da aprovação dos parlamentares, de acordo com o InfoMoney.
Um Congresso mais à direita para negociar
O governo precisará construir maioria em um Congresso descrito pela reportagem como mais à direita. No Senado, o PT terá apenas nove senadores. Os novos parlamentares tomam posse em fevereiro de 2027, e a negociação antes dessa data pode definir quanto do ajuste avança.
Na prática, o primeiro passo da nova equipe será separar o que o Executivo pode fazer por conta própria do que precisa de aprovação legislativa. Mudanças em benefícios tributários e nos pisos de saúde e educação ficam no segundo grupo. A composição do time também indicará o grau de continuidade em relação ao terceiro mandato, e a reação dos juros futuros e do câmbio será o primeiro termômetro do mercado.



