O deputado estadual reeleito Antonio Donato (PT-SP) criou no WhatsApp o canal "Exército na cola do Tarcísio", com o objetivo declarado de fazer oposição ao governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo o Poder360, que publicou a informação neste domingo (1º), o grupo reunia 2.886 seguidores até a manhã do dia.
A iniciativa copia o modelo do deputado federal André Janones (Rede-MG), administrador do canal "Exército do Lula". Esse grupo foi usado na campanha para mobilizar apoiadores, distribuir conteúdo eleitoral e estimular o compartilhamento de mensagens.
Do Exército do Lula ao alvo paulista
De acordo com o Poder360, o "Exército do Lula" chegou a 10 milhões de seguidores no WhatsApp em 23 de outubro, dois dias antes do segundo turno da eleição presidencial. O canal de Donato tem, portanto, cerca de 0,03% desse alcance, e o desempenho dele dependerá de a base petista paulista migrar para o novo grupo.
A descrição do grupo diz que a proposta é "fiscalizar as ações e denunciar os malfeitos da sua administração", em referência ao governo Tarcísio. A frase está na apresentação do canal e não foi dita por Donato em entrevista, segundo a reportagem.
A linguagem copiada e o alvo extra
Donato também reproduz o vocabulário de Janones. As mensagens do canal começam com expressões como "Pessoal, urgente" e "Explode", fórmula usada pelo deputado mineiro para pedir que os seguidores espalhem um conteúdo o mais rápido possível.
O petista não mira só o governador. O Poder360 informa que ele também critica a gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Em uma das mensagens, Donato pede que os seguidores comentem e compartilhem um vídeo gravado em uma obra que, segundo ele, foi superfaturada. A mensagem traz o link de um reel no Instagram. A reportagem não informa o valor da obra nem apresenta documentos que comprovem a acusação, que por ora é uma afirmação do deputado.
O que a estreia mostra sobre 2027
O canal nasce logo depois da eleição, num momento em que Tarcísio acabou de ser reeleito e a oposição paulista procura um formato para manter a mobilização que a campanha presidencial criou. O WhatsApp, que Janones transformou em ferramenta de comunicação direta com milhões de pessoas, passa a ser testado por um deputado estadual numa escala bem menor.
Na prática, quem acompanha o canal passa a receber, direto no celular, denúncias e pedidos de compartilhamento sobre o governo estadual e a prefeitura da capital. Cabe ao governo Tarcísio e à gestão Nunes responder às acusações, e o crescimento da base nas próximas semanas dirá se o modelo funciona fora da disputa presidencial.



