O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou em entrevista ao jornal O Globo, publicada neste sábado (31), que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já procurou o partido e que a relação pode se aprofundar. A condição, segundo ele, é uma mudança de rumo na economia. As declarações foram reproduzidas pelo Poder360 e pela Estadão Conteúdo, via Money Times.
Kassab disse que o PSD ficaria mais próximo do Planalto se o governo adotar medidas econômicas de equilíbrio fiscal. Citou Antonio Palocci e Henrique Meirelles, que comandaram a economia no primeiro mandato de Lula, como exemplos de nomes que dariam tranquilidade ao mercado. "Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos, sim", afirmou.
O dirigente afirmou também que o governo precisa sinalizar para o centro e que Lula não conseguiu, no terceiro mandato, unir o país nem ampliar o apoio. Reconheceu, porém, que o petista não pode abandonar os compromissos sociais, pois foi eleito para cumpri-los.
O PSD já ocupou ministérios sem se declarar da base
De acordo com a Estadão Conteúdo, o PSD comandou três ministérios no governo anterior sem se declarar oficialmente da base. Em 2023, o partido decidiu que, se o Planalto convidasse filiados, a legenda compreenderia. Agora o convite é para uma adesão mais formal: o Poder360 relata que Lula propôs a integração do PSD à base do novo mandato.
Sobre a própria participação no governo, Kassab respondeu que o ministério não está no seu horizonte, mas não descartou voltar. Segundo a Estadão Conteúdo, ele disse que seria muito honroso e lembrou que já comandou duas pastas.
Por que Kassab atribui a derrota a Flávio
Na análise do presidente do PSD, a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) e o quarto mandato de Lula se explicam sobretudo por erros do candidato da direita e pela forma como a campanha petista explorou essas fragilidades. Kassab afirmou que, ao escolher Flávio, a direita dividiu o centro com Lula. Para ele, o senador perdeu apoio à medida que ficou mais conhecido fora do Rio, em outubro.
Kassab apontou como pontos negativos a fala sobre mexer na Constituição, o linguajar e a falta de postura nos debates. Disse também que o PT soube acionar o medo da volta do bolsonarismo e que a atuação do deputado André Janones (Rede-MG) e as manifestações espontâneas de rua aumentaram o peso da comunicação digital.
Kassab avaliou que a polarização ainda não foi quebrada. Citou o caso de Ronaldo Caiado (PSD), quinto colocado na eleição, que não conseguiu atrair eleitores que rejeitavam Lula e Flávio. Segundo o Poder360, ele disse ainda que não vê condições para que um integrante da família Bolsonaro dispute a eleição de 2030.
O preço que o PSD coloca para apoiar o governo
A fala de Kassab funciona como um preço público para o apoio. O PSD tem ministérios no radar e usa a equipe econômica como moeda de negociação: quanto mais próxima de um perfil fiscalmente conservador, maior a chance de a bancada aderir ao governo. Lula ainda não definiu nomes para o ministério, e a escolha do titular da Fazenda é a mais observada pelo mercado e pelos partidos.
A mensagem alcança o Congresso. Uma base ampliada com o PSD facilitaria a votação de pautas do governo, mas a contrapartida desenhada por Kassab passa por sinais de contenção de gastos e por uma postura de pacificação, algo que o Planalto ainda não detalhou.



