sábado, 31 de outubro de 2026 · Edição diária

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Trump diz que Flávio pode ficar nos EUA 'o tempo que quiser' e chama eleição de vergonha

Em Mar-a-Lago, o presidente americano afirmou que o senador foi 'tratado muito mal' e que não planeja encontrá-lo. No mesmo dia, Marco Rubio negou que Washington tenha participado da saída de Flávio, derrotado por Lula por 51,79% a 48,21%.

Donald Trump fala a jornalistas na Flórida
Trump falou a jornalistas no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, sobre a permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Foto: Europäische Kommission - Audiovisueller Dienst, CE - Service / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode permanecer no país pelo tempo que desejar, segundo o Poder360, em publicação deste sábado (31). A declaração é nova em relação à liberação de entrada do senador, já noticiada: agora Trump diz que o considera bem-vindo por prazo indeterminado e, ao mesmo tempo, descarta se reunir com ele.

Trump falou a jornalistas no clube Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida. Perguntado se encontraria Flávio, respondeu que não tem planos para isso. Em seguida, disse que o brasileiro foi tratado "muito mal" e que "pode ficar aqui pelo tempo que quiser".

Trump volta a atacar a eleição brasileira

O presidente americano também criticou o pleito de 25 de outubro, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Na avaliação dele, a eleição foi uma vergonha. De acordo com o Poder360, Trump não apresentou provas de irregularidades no processo eleitoral brasileiro.

O resultado oficial deu a Lula 64.256.232 votos, ou 51,79%. Flávio teve 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos.

Na quinta-feira (29), Trump já havia dito que não tomou partido na eleição brasileira a pedido de Lula. Na ocasião, criticou o pleito e evitou responder se reconheceria a vitória do petista.

Rubio nega participação dos EUA na saída de Flávio

No mesmo sábado, o secretário de Estado, Marco Rubio, negou envolvimento direto do governo americano na saída de Flávio do Brasil. Ele falou em coletiva de imprensa em Atlanta, onde ocorria a reunião de ministros das Relações Exteriores do G20. Segundo o Poder360, Rubio disse que os Estados Unidos não participaram dos preparativos feitos pelo senador e que o governo não esteve diretamente envolvido nas movimentações.

A fala de Rubio contrasta com o tom de Trump, que acolhe Flávio publicamente. Também convive com o título de outra reportagem linkada pelo próprio Poder360, que afirma que um assessor de Trump ajudou o senador a fugir e a entrar nos EUA. O texto lido não detalha essa apuração, e a reportagem citada não foi verificada aqui.

Como a saída do senador começou

De acordo com o Poder360, Flávio, a mulher e as duas filhas adolescentes deixaram o Brasil na terça-feira (27). A família se sentia ameaçada por possíveis decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

A Polícia Federal pediu a apreensão do passaporte do senador sete minutos depois de o TSE declarar o resultado da eleição, às 21h09 de 25 de outubro. Moraes aceitou o pedido da PF e proibiu Flávio de sair do país. O senador, porém, já estava fora quando a decisão foi cumprida, segundo a cronologia do caso.

O que está em jogo para Brasília e Washington

A permanência de Flávio nos Estados Unidos, com apoio verbal de Trump, coloca o governo Lula diante de um atrito diplomático com o principal parceiro comercial fora do eixo asiático. As declarações do presidente americano questionam a legitimidade da votação, o que pode alimentar o discurso do senador de que houve fraude, sem provas apresentadas até agora.

Para o Congresso, o efeito é imediato: Flávio já disse que sua trincheira será o Senado, onde seu mandato segue em vigor. A ausência física dele e a posição de Washington tendem a pesar na negociação por 2027, quando começa o novo mandato de Lula.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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