O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, admitiu na sexta-feira (18) uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada por Flávio Bolsonaro (PL) e pelo vice Alfredo Gaspar (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB). O alvo é o desfile da Acadêmicos de Niterói no carnaval de 2026, que teve a trajetória de Lula como enredo. Os investigados têm cinco dias, após a notificação, para apresentar defesa.
A petição também cita a primeira-dama Janja Lula da Silva, o candidato a deputado federal Marcelo Freixo (PT) e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT). Flávio e Gaspar alegam abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação. Apontam repasses de R$ 9,6 milhões de municípios do Rio, do estado e da Embratur à escola depois do anúncio do enredo, em julho de 2025, e citam a transmissão do desfile em TV aberta por cerca de 79 minutos.
Admitir a AIJE não significa condenação nem endosso aos argumentos dos autores. É uma decisão técnica de admissibilidade: o corregedor entendeu que os fatos narrados, em tese, se encaixam nos requisitos da Lei Complementar 64/1990. Se a ação avançar e houver reconhecimento de abuso grave, a pena pode chegar a cassação de registro ou diploma e inelegibilidade por oito anos — o mesmo tipo de processo que deixou Jair Bolsonaro inelegível até 2030.
Não é a primeira AIJE sobre o mesmo desfile: o Novo já questionou a homenagem e Lula respondeu que carnaval retrata figuras políticas, que os repasses foram isonômicos entre as 12 escolas e que não havia gravidade dada a distância até as urnas. Em sentido inverso, o PT moveu AIJE contra Flávio pela Festa do Peão de Barretos, também admitida por Ferreira. A campanha do PT não respondeu ao g1 sobre a nova citação.



