O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, vai reforçar o discurso de redução do custo de vida e concentrar as viagens no Sudeste nas duas semanas que faltam para o primeiro turno, em um apelo ao voto útil dos eleitores de outros nomes da direita. A campanha quer antecipar o apoio de quem rejeita o PT e vê o senador como o adversário mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O movimento mira apoiadores de Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), sem ataques diretos a esses rivais. A orientação é apresentar Flávio como quem tem melhores condições de derrotar Lula já no primeiro turno. Na quinta-feira, em Vitória da Conquista (BA) e na live semanal, ele pediu que quem pensa em outros candidatos considere votar nele "para a gente resolver logo".
No eixo econômico, a campanha fala em endividamento, inflação, juros e custo de vida. Entre as propostas estão corte de impostos sobre energia e combustíveis, revisão da reforma tributária para reduzir a alíquota do IVA e medidas para baratear alimentos via logística, armazenagem e fertilizantes nacionais. A coordenadora econômica Daniella Marques cita um programa de renegociação de dívidas que miraria mais de 100 milhões de brasileiros, com uso de ativos da União. A equipe ainda não detalhou quais despesas cortaria para o ajuste equivalente a 1,5% do PIB.
Na Quaest da semana passada, Flávio apareceu numericamente à frente de Lula no segundo turno pela primeira vez na campanha (42% a 40%), ainda em empate técnico. No primeiro turno, Lula tem 36% e Flávio 31%; Cury marca 7%, Caiado e Renan 4% cada, Zema 1%. O coordenador Rogério Marinho (PL-RN) associa endividamento e juros altos à gestão petista. Sobre o reajuste de 15% do Bolsa Família, Flávio classificou o valor como "merreca" e falou em compra de voto, mas orientou a campanha a não recorrer ao TSE; o deputado Zé Trovão (PL-SC) acionou a Corte e foi desautorizado.
A partir de meados da semana, a previsão é concentrar agendas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que somam cerca de 40% do eleitorado, e encerrar o primeiro turno no Rio. Caiado chamou o apelo ao voto útil de desrespeitoso. Renan Santos minimizou o efeito e disse que manterá o confronto com o candidato do PL.



