A chapa de Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar protocolou no Tribunal Superior Eleitoral uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral em que pede a cassação do registro da chapa Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) e a declaração de inelegibilidade do presidente. O G1 publicou a reportagem nesta quarta-feira (9), à 0h, com atualização às 3h56.
A defesa acusa Lula de abuso de poder político, abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação social por causa do desfile da Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026. O enredo homenageou o petista: "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil". Segundo a petição, a apresentação teve caráter eleitoral e produziu vantagem indevida em ano de disputa.
Um dos eixos da ação é o financiamento. Os autores afirmam que ao menos R$ 9,65 milhões em recursos públicos federais, estaduais e municipais foram destinados à escola. A peça também cita uma suposta captação privada de R$ 2,5 milhões atribuída à primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, ponto que a própria ação diz que precisará ser aprofundado na instrução.
TCU já apura o desfile
O tema já tramita no Tribunal de Contas da União. Em abril, o ministro Augusto Nardes abriu investigação para apurar possível desvio de finalidade e uso da máquina pública na organização do desfile, após representação do Partido Novo. Antes do Carnaval, o então ministro Aroldo Cedraz rejeitou pedido para suspender R$ 1 milhão da Embratur à agremiação, no acordo de R$ 12 milhões às 12 escolas do Grupo Especial.
A campanha de Flávio aponta ainda reuniões de dirigentes da escola no Palácio do Planalto e no Alvorada, agendas na Secretaria de Relações Institucionais, viagens de Janja em aeronaves da FAB e atuação de servidores da Presidência na organização de convidados. Lula assistiu ao desfile na Sapucaí ao lado de ministros. Janja, apontada por opositores como possível integrante de um carro alegórico, não desfilou.
Janja, Freixo e Neves no polo passivo
Além de Lula e Alckmin, a AIJE inclui Janja, o ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo e o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. A defesa atribui aos três participação na preparação, no financiamento e na divulgação do desfile e pede que o TSE avalie responsabilização individual. Nos pedidos finais, a chapa de Flávio pede o reconhecimento dos abusos, a cassação da chapa adversária e a inelegibilidade de Lula.



