A Petrobras eleva nesta quinta-feira (10) o preço da gasolina A vendida às distribuidoras em R$ 0,63 por litro, para R$ 3,24. O reajuste entra no mesmo dia em que passa a valer a desoneração de tributos federais anunciada ontem por Luiz Inácio Lula da Silva. Os dois movimentos se anulam. O Poder360 publicou o comunicado da estatal às 23h25 de quarta, com vigência a partir de hoje.
O aumento tem dois pedaços. A companhia sobe R$ 0,19 e, ao mesmo tempo, retira o desconto de R$ 0,44 que concedia desde maio, quando aderiu ao subsídio do governo. Soma: R$ 0,63. É exatamente o valor do corte de PIS, Pasep e Cofins sobre a gasolina, que leva a carga tributária a R$ 0,16 por litro até 9 de outubro.
Na prática, o consumidor não sente o alívio prometido no vídeo presidencial. O governo desonera. A Petrobras recolhe. A bomba fica no mesmo lugar. O etanol hidratado, com PIS/Cofins zerado (corte de R$ 0,19), escapa desse empate.
Brent a US$ 100 e o diesel
O reajuste vem com o Brent acima de US$ 100 o barril, puxado pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. A estatal ainda deve revisar o diesel depois da regulamentação. No diesel, o governo somou uma subvenção nova de R$ 1 ao R$ 1,12 já em vigor, total de R$ 2,12 por litro no período inicial.
O pacote de ontem tem impacto estimado em cerca de R$ 7 bilhões por mês, em crédito extraordinário fora do arcabouço. A compensação da Petrobras transfere o custo para o Tesouro e preserva a receita da companhia. A Fazenda reduz arrecadação. A estatal não absorve o choque internacional.
Quem decide o preço
A política de preços da Petrobras, sob Magda Chambriard, voltou a acompanhar o mercado no momento em que o Palácio precisava de bomba mais barata a 24 dias do primeiro turno. O governo diz que contém a alta. A conta fecha no papel. Na rua, o litro não cai.



