O Departamento de Estado dos Estados Unidos vai conceder visto a Flávio Bolsonaro e à família dele e permitir a entrada do senador no país, segundo autoridade do órgão ouvida pela repórter Raquel Krähenbühl, da TV Globo, nesta terça-feira (27). O governo de Donald Trump não confirmou se Bolsonaro já está em território americano.
A decisão dos Estados Unidos chega horas depois de o senador descumprir a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes comum e diplomático até o início da tarde desta terça. Como o prazo não foi cumprido, a Polícia Federal cancelou os dois documentos e vai comunicar formalmente o descumprimento a Moraes.
Como foi a saída do Brasil
Segundo reportagem da colunista Mirelle Pinheiro, do site Metrópoles, Bolsonaro deixou o país na madrugada desta terça em um jato particular, com passagem por Puerto Iguazú, na Argentina, antes de seguir para os Estados Unidos. A Direção Nacional de Migrações argentina informou não ter registro de entrada do senador no território do país.
Horas antes de a saída ser confirmada, Bolsonaro enviou uma mensagem ao senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, dizendo que estava esfriando a cabeça, sem mencionar uma viagem aos Estados Unidos, segundo o mesmo relato do Metrópoles. Até o fim da manhã desta terça, aliados da campanha não confirmavam contato com o senador.
As agências Reuters e o jornal The New York Times informaram, com base em fontes que não quiseram se identificar, que Bolsonaro deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos. Um jornal argentino também divulgou a informação nas primeiras horas da manhã desta terça, antes da confirmação do Departamento de Estado.
A investigação que levou Moraes a cobrar o passaporte
Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro em processo que tem Moraes como relator no STF. A ordem para a entrega dos passaportes veio dois dias depois de Lula ser confirmado reeleito no segundo turno, no qual Bolsonaro foi derrotado por uma diferença de 4,43 milhões de votos. Dois dias antes da votação, Moraes já havia bloqueado R$ 6 bilhões vinculados a Tomaz.
O risco de desacato para o senador
Bolsonaro cultivou a relação com o governo Trump ao longo do ano. Em maio, ele se reuniu em Washington com o subsecretário de Estado Christopher Landau e com o assessor de política Darren Beattie para tratar da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
O descumprimento da ordem de Moraes e a saída do país sem autorização expõem Bolsonaro ao risco de responder por desacato à decisão judicial, procedimento que cabe ao STF abrir a partir da comunicação formal da Polícia Federal. O episódio também amplia o atrito diplomático entre Brasília e Washington, já que o governo americano decidiu acolher um senador que descumpriu ordem da mais alta corte do Brasil.
Até a publicação desta reportagem, nem o governo brasileiro nem a campanha de Bolsonaro haviam se manifestado publicamente sobre a concessão do visto pelos Estados Unidos.
Fontes consultadas
- g1 Política — Governo dos EUA concederá vistos a Flávio Bolsonaro e sua família
- O Globo Política — Governo Trump dará visto para Flávio Bolsonaro e permitirá entrada dele nos EUA
- Folha Poder — Governo Trump está ciente sobre saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, dizem aliados
- Metrópoles — O que se sabe sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do país rumo aos EUA



