terça-feira, 3 de novembro de 2026 · Edição diária

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Fujifilm multiplica por 5 a produção de fita magnética e põe US$ 64 milhões na aposta de IA

A japonesa destina 10 bilhões de ienes (cerca de US$ 64 milhões) à fábrica de Odawara, o maior aporte em fita em duas décadas, porque SSDs e HDDs ficaram caros demais para guardar os dados da IA.

Corredor de data center com racks de armazenamento
Data centers de IA voltam a recorrer à fita magnética para guardar dados de acesso raro. Foto: Pexels / Nicolas Foster

A Fujifilm vai multiplicar por cinco a produção de fita magnética para atender à demanda de data centers de inteligência artificial, segundo reportagem do Canaltech publicada nesta terça-feira (3), que cita a Nikkei Asia como origem da informação. A empresa japonesa anunciou 10 bilhões de ienes, cerca de US$ 64 milhões, para a fábrica de Kanagawa, localizada em Odawara.

O valor é o maior aporte da companhia em tecnologia de fita em duas décadas. O plano cobre os anos fiscais de 2026 a 2028 e dá prioridade à fabricação de fitas no padrão LTO-10. A Fujifilm, lembra o Canaltech, também é hoje a terceira maior fabricante de câmeras do mundo, à frente da Nikon.

Por que o disco e o SSD perderam espaço

Treinar e operar modelos de IA gera um volume de dados que a reportagem classifica como inédito. Ao mesmo tempo, de acordo com o Canaltech, os preços de SSDs e HDDs corporativos estão em níveis proibitivos por causa da escassez global desses componentes.

Nesse quadro, provedores de nuvem e grandes data centers voltaram a considerar a fita para os chamados dados frios: informações que precisam ser preservadas com segurança por longos períodos, mas que quase nunca são acessadas de imediato. Backups, arquivos de treinamento antigos e registros de uso se encaixam nessa descrição.

Segundo a matéria, o custo de retenção por terabyte em fita chega a ser um quarto do custo de discos rígidos tradicionais e fica bem abaixo do de SSDs corporativos de alto desempenho. A fita também consome consideravelmente menos energia quando está em repouso, o que pesa na conta de data centers que já disputam eletricidade.

O que o LTO-10 entrega em capacidade

Os cartuchos da nova geração têm capacidade nativa de 40 TB, que pode chegar a 100 TB por unidade com compressão de dados. O roteiro do padrão prevê o LTO-11 em 2029, com 70 TB nativos, e projeções de até 365 TB brutos por fita em gerações futuras.

A decisão de ampliar a produção em cinco vezes indica que a Fujifilm espera demanda firme nos próximos anos, e não um pico passageiro. A tecnologia, que a reportagem associa ao ano de 1950 no título, passa a ser tratada como opção de projeto para quem monta infraestrutura de IA.

O que a notícia não informa sobre preço e prazo

Para empresas que contratam nuvem ou mantêm data center próprio, a leitura prática é que o arquivo de longo prazo tende a migrar para fita enquanto SSDs e HDDs seguirem caros. O Canaltech não traz o preço dos cartuchos LTO-10 nem a data em que a capacidade ampliada de Odawara começa a entregar produto, dois dados que definem quando o efeito chega ao mercado.

A reportagem também não cita clientes da Fujifilm nem menciona o Brasil. O que está confirmado é o tamanho do investimento, o período do plano e o padrão escolhido, que concentram a aposta da empresa em fitas de alta capacidade.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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