O Mercado Bitcoin sofreu um incidente de segurança na madrugada desta segunda-feira (2), e cerca de US$ 49 milhões foram desviados de suas contas, segundo o Valor Econômico. Até o fim da tarde, US$ 11,2 milhões dessa soma haviam sido bloqueados com apoio da comunidade cripto. A empresa afirma que o caso foi contido e que não houve prejuízo aos clientes.
A exchange suspendeu depósitos e saques como medida preventiva e deixou o aplicativo fora do ar. A Exame relatou que sua reportagem tentou acessar o app às 11h40 e não conseguiu fazer login. A corretora disse que suas equipes investigam o caso, rastreiam os ativos e coordenam a resposta com as autoridades.
Os números não batem entre as fontes
O valor do desvio muda conforme quem conta. O Valor fala em cerca de US$ 49 milhões retirados das contas da corretora. A Exame cita a Hypernative, empresa de infraestrutura e segurança em blockchain, que afirmou ter identificado pelo menos US$ 40 milhões (R$ 217,7 milhões) comprometidos em carteiras da exchange.
O volume bloqueado também diverge. Para o Valor, US$ 11,2 milhões estavam travados no fim da tarde. A Exame, em texto publicado no meio do dia, registrou que a Tether bloqueou perto de US$ 3,7 milhões em stablecoins ligadas aos endereços investigados. As cifras podem refletir horários diferentes de apuração, mas nenhuma das duas fontes detalha como o total foi calculado.
Há ainda uma tensão entre o discurso da empresa e os valores. O Mercado Bitcoin afirma que o incidente foi contido rapidamente, que não houve vazamento de dados de clientes e que os clientes não tiveram prejuízo. Mesmo assim, o dinheiro saiu de carteiras da própria corretora, e a Exame não encontrou explicação pública para como essa conta será fechada. A empresa publicou no X os endereços de destino dos fundos, em redes como Bitcoin, Solana, Stellar e Tron, para facilitar o rastreamento.
Quatro dias depois da Binance
O episódio ocorre depois do ataque à Binance, que resultou no maior roubo já observado no setor, de US$ 6,3 bilhões, no dia 29. Na última atualização citada pelo Valor, a maior corretora cripto do mundo disse ter coberto cerca de 95% do valor afetado. Segundo a Exame, o FBI e empresas de rastreamento atribuíram esse ataque a um grupo ligado ao governo da Coreia do Norte, o TraderTraitor.
Sobre o caso brasileiro, a autoria não foi divulgada. A Exame descreve que o grupo associado à Binance costuma usar engenharia social, como falsas ofertas de emprego, aplicativos falsos e ataques à cadeia de suprimentos de software. Nenhuma fonte liga esses métodos, nem o grupo, ao incidente no Mercado Bitcoin.
O que está em jogo para clientes e para o licenciamento
Para quem tem saldo na corretora, a dúvida imediata é quando os saques voltam. A empresa disse apenas que trabalha para restabelecer as operações com segurança e que informará os clientes pelos canais oficiais, sem prazo.
O momento também pesa na regulação. A Exame informa que o Mercado Bitcoin pediu ao Banco Central autorização para operar como prestadora de serviços de ativos virtuais. A regra do BC, publicada no fim de 2025, exigia o pedido até 30 de outubro, e o banco analisará mais de 60 solicitações. Um incidente desse tamanho, a poucos dias do prazo, tende a entrar na análise da segurança operacional da empresa.



