O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enviou em janeiro ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, um ofício com suspeita de corrupção de dois chefes da supervisão bancária. O documento, Ofício 935/2026-BCB/Secre, de 9 de janeiro, entrou na PET 15.556 e veio a público nesta sexta-feira (11). O Poder360 publicou às 11h28.
Galípolo escreveu que o BC tomou conhecimento de funcionários recebendo "substanciais quantias" de gente ligada a instituição fiscalizada pela própria unidade em que trabalhavam. O contexto, disse, sugeria "interesse privado na atuação funcional". Em tese, corrupção passiva, artigo 317 do Código Penal.
Os citados são Belline Santana, então chefe de unidade do Desup, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto. A denúncia chegou verbalmente a Galípolo, com fonte anônima. Em 7 de janeiro ele avisou o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, e o procurador-geral. No dia 8 a Corregedoria abriu duas sindicâncias patrimoniais. No dia 9 o parecer jurídico recomendou mandar à PF, não ao Ministério Público. Galípolo assinou.
R$ 2 milhões e R$ 4,5 milhões
Belline disse que Leonardo Palhares, ligado à Câmara-e.Net, ofereceu R$ 2 milhões por um projeto de inclusão financeira de jovens. Recebeu duas parcelas de R$ 500 mil em 2023. Em 2025, pela empresa Inspiração, parcelas de R$ 100 mil. Negou saber do Master. A Corregedoria viu "aparente desproporcionalidade".
Paulo Sérgio relatou ter vendido um sítio em Minas por R$ 4,5 milhões, em cinco parcelas numa conta conjunta com o irmão. Só na escritura soube que o comprador era cunhado de Daniel Vorcaro. Disse que o preço era de mercado e que declarou à Receita. Os dois foram afastados por 60 dias. Negam crime.
O que a PF faz agora
O celular de Vorcaro, segundo a PF, mostra servidores do BC passando informação e atuando informalmente a favor do Master. Os pagamentos e o sítio entram nessa conta. Ninguém foi condenado. O ofício de Galípolo só agora saiu do sigilo.



