sexta-feira, 11 de setembro de 2026 · Edição diária

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Galípolo envia à PF suspeita de corrupção de chefes do Banco Central

O presidente do Banco Central enviou a Andrei Rodrigues, em janeiro, o Ofício 935 sobre dois chefes da supervisão. Um relatou R$ 2 milhões. O outro, R$ 4,5 milhões na venda de um sítio ao cunhado de Vorcaro.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, de terno, em evento oficial em Brasília
Gabriel Galípolo enviou à PF, em janeiro, suspeita de corrupção passiva contra dois chefes da supervisão bancária. O ofício veio a público nesta sexta (11). Foto: Sérgio Lima / Poder360

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enviou em janeiro ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, um ofício com suspeita de corrupção de dois chefes da supervisão bancária. O documento, Ofício 935/2026-BCB/Secre, de 9 de janeiro, entrou na PET 15.556 e veio a público nesta sexta-feira (11). O Poder360 publicou às 11h28.

Galípolo escreveu que o BC tomou conhecimento de funcionários recebendo "substanciais quantias" de gente ligada a instituição fiscalizada pela própria unidade em que trabalhavam. O contexto, disse, sugeria "interesse privado na atuação funcional". Em tese, corrupção passiva, artigo 317 do Código Penal.

Os citados são Belline Santana, então chefe de unidade do Desup, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto. A denúncia chegou verbalmente a Galípolo, com fonte anônima. Em 7 de janeiro ele avisou o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, e o procurador-geral. No dia 8 a Corregedoria abriu duas sindicâncias patrimoniais. No dia 9 o parecer jurídico recomendou mandar à PF, não ao Ministério Público. Galípolo assinou.

R$ 2 milhões e R$ 4,5 milhões

Belline disse que Leonardo Palhares, ligado à Câmara-e.Net, ofereceu R$ 2 milhões por um projeto de inclusão financeira de jovens. Recebeu duas parcelas de R$ 500 mil em 2023. Em 2025, pela empresa Inspiração, parcelas de R$ 100 mil. Negou saber do Master. A Corregedoria viu "aparente desproporcionalidade".

Paulo Sérgio relatou ter vendido um sítio em Minas por R$ 4,5 milhões, em cinco parcelas numa conta conjunta com o irmão. Só na escritura soube que o comprador era cunhado de Daniel Vorcaro. Disse que o preço era de mercado e que declarou à Receita. Os dois foram afastados por 60 dias. Negam crime.

O que a PF faz agora

O celular de Vorcaro, segundo a PF, mostra servidores do BC passando informação e atuando informalmente a favor do Master. Os pagamentos e o sítio entram nessa conta. Ninguém foi condenado. O ofício de Galípolo só agora saiu do sigilo.

Fontes consultadas

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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