O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, afirmou neste sábado (5), em ato em São José do Rio Preto, que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) recebeu dinheiro do Banco Master para se eleger em 2022. A declaração veio ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice Geraldo Alckmin, no interior paulista, e elevou o tom da disputa estadual em torno do escândalo que envolve o ex-controlador Daniel Vorcaro.
Haddad citou a doação de R$ 2 milhões feita por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado, à campanha de Tarcísio naquele ano. No total, Vorcaro e o círculo ligado ao banco somaram R$ 5 milhões em doações formais às campanhas de Tarcísio e de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, sendo R$ 3 milhões destinadas à reeleição do então presidente.
Máfia e reação do governo paulista
No discurso, o petista classificou o Master como produto de uma máfia criada para perpetuar a extrema direita no poder e listou negócios do banco com ex-ministros de Bolsonaro. Disse ainda que o crescimento da instituição ocorreu sob a gestão do presidente do Banco Central nomeado pelo bolsonarismo. Alckmin, no mesmo evento, ironizou o campo adversário ao falar em golpe do Master no lugar do golpe de Estado.
A base factual da cobrança remete à proposta de delação premiada de Vorcaro, rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, em que o ex-banqueiro afirmou que as doações foram propina negociada com Gilberto Kassab (PSD) para manter o Credcesta operando consignados com servidores paulistas. Tarcísio classificou a acusação como próxima do ridículo. O governo de São Paulo negou irregularidade no credenciamento e informou que a autorização foi desfeita após a liquidação do Master.
Contas do estado e educação na mira
Além do Master, Haddad atacou o resultado fiscal e educacional do mandato. Disse que o caixa estadual caiu de cerca de R$ 22 bilhões para R$ 5 bilhões e citou o déficit orçamentário de R$ 12,2 bilhões em 2025, o pior em percentual do Orçamento desde 1995 segundo a Folha. Na educação, lembrou a queda do ensino médio público paulista da liderança nacional em 2015 para a décima posição sob Tarcísio. O governador e Kassab negam as acusações ligadas a Vorcaro.



