quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Edição diária

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IA clona voz e rosto para aplicar golpe no Brasil: estudo liga 9,1 mil relatos a fraudes no PIX

Levantamento inédito da Nexus Pesquisa com a Certta analisou 39,7 mil menções a golpes digitais entre janeiro e julho e encontrou 9,1 mil relatos ligados a fraudes no PIX, sinal de que golpistas trocam a senha roubada pela voz e o rosto clonados por inteligência artificial.

Mão segurando smartphone com alerta de segurança digital
Estudo da Nexus Pesquisa com a Certta mapeou golpes que usam inteligência artificial para clonar voz e rosto de vítimas no Brasil. Foto: Pexels / RDNE Stock project

Um levantamento inédito da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, feito em parceria com a empresa antifraude Certta, mapeou 39,7 mil menções sobre segurança digital nas redes sociais brasileiras entre janeiro e julho de 2026. O estudo, divulgado nesta quarta-feira (26) e citado pelo g1, mostra que o golpe tradicional de roubo de senhas divide espaço com uma modalidade mais sofisticada: criminosos usam inteligência artificial para reproduzir voz, rosto e vídeo de vítimas reais e, a partir daí, aplicar fraudes financeiras.

Do total de menções analisadas, 2,8 mil tratavam de manipulação de dados pessoais e 9,1 mil citavam PIX e transações financeiras associadas a fraude, segundo o levantamento. A Certta, que assina o estudo ao lado da Nexus, é especializada em soluções antifraude e construiu a base a partir de publicações de vítimas nas redes sociais — não de boletins de ocorrência policial —, o que sugere que o problema real pode ser maior do que os números captados.

Como o golpe funciona

Uma das táticas mapeadas é o SIM swap: o criminoso se passa pela vítima junto à operadora de telefonia, alega perda ou dano do chip e consegue uma nova linha em seu nome. Com o número ativo em outro aparelho, ele passa a receber os códigos de verificação por SMS e redefine senhas de contas como Instagram e WhatsApp — de onde, em seguida, aciona contatos da vítima pedindo transferências via PIX.

Outra fraude identificada é a venda de ingressos falsos: golpistas criam perfis com aparência legítima, usando dados de terceiros, para anunciar entradas de shows a quem procura publicamente por ingressos. O levantamento também descreve o deepfake — técnica de inteligência artificial que cria ou altera imagens, vídeos e áudios de forma realista, a ponto de colocar o rosto de uma pessoa no corpo de outra ou simular uma declaração que ela nunca fez — como ferramenta cada vez mais usada nesse tipo de abordagem.

Da senha roubada à voz clonada

Para Marcelo Tokarski, CEO da Nexus Pesquisa, o estudo expõe um descompasso: enquanto os criminosos já dominam ferramentas de IA para se passar por outras pessoas de forma cada vez mais convincente, boa parte do público brasileiro ainda está aprendendo a reconhecer esse tipo de fraude.

"O estudo também revela um contraste: enquanto criminosos já usam ferramentas de IA para se passar por outras pessoas de formas cada vez mais convincentes, os brasileiros ainda tentam entender o que é deepfake e como funcionam os novos tipos de golpe", afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus Pesquisa.

O que muda para você

O PIX não tem mecanismo simples de estorno depois que a transferência é concluída, o que torna a checagem de identidade — e não só a senha — o ponto central de proteção. Antes de atender a um pedido de dinheiro por áudio, vídeo ou ligação, mesmo que a voz pareça familiar, vale confirmar por outro canal com a pessoa supostamente responsável pelo pedido. Bancos, operadoras de telefonia e redes sociais também entram na mira: são eles que precisam adaptar sistemas de verificação a um golpe que já não depende só de vazamento de senha para funcionar.

Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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