Os bancos brasileiros vão destinar R$ 50 bilhões à tecnologia em 2026, e uma fatia de R$ 6,9 bilhões desse total está reservada para inteligência artificial e migração para a nuvem. Os números fazem parte da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, conduzida pela consultoria Deloitte e apresentada durante a Febraban Tech 2026, segundo reportagem da Convergência Digital.
Onde vai o dinheiro
Do total de R$ 6,9 bilhões voltados a IA e nuvem, a pesquisa detalha dois blocos com ritmos de crescimento diferentes. O investimento em inteligência artificial, analytics e big data soma R$ 3 bilhões, alta de 8% em relação a 2025. Já a migração para a nuvem recebe R$ 3,9 bilhões, salto de 30% na comparação anual — o ritmo mais acelerado entre as duas frentes e um sinal de que os bancos ainda estão movendo parte relevante de sua infraestrutura para fora dos data centers próprios.
- Inteligência artificial, analytics e big data: R$ 3 bilhões (alta de 8% ante 2025)
- Migração para a nuvem: R$ 3,9 bilhões (alta de 30% ante 2025)
Para Sergio Biagini, sócio da área de Banking & Capital Markets da Deloitte, os números mostram uma virada de estágio na transformação digital do setor bancário brasileiro.
"Os resultados da pesquisa mostram que o setor bancário brasileiro entra em uma nova fase da transformação digital, marcada pela convergência entre Data & AI, GenAI, Cloud e Cyber"
Cibersegurança e capacitação também avançam
Rodrigo Mulinari, diretor da pesquisa, afirma que os aportes em IA, analytics, big data e nuvem demonstram o compromisso do setor com inovação, eficiência e segurança. Já Ivo Mósca, representante da Febraban, diz que a cibersegurança segue como eixo central e prioritário da agenda tecnológica dos bancos — a pesquisa, porém, não abre o valor investido especificamente nessa frente dentro do orçamento de 2026.
O orçamento para treinar equipes em inteligência artificial e IA generativa também avança acima da média do setor: os bancos vão investir R$ 29,4 milhões em capacitação nessas tecnologias em 2026, alta de 31% em relação ao ano anterior. Em 2025, o setor havia destinado R$ 100,4 milhões a treinamentos tecnológicos no total, capacitando 226,1 mil profissionais, segundo a mesma pesquisa.
O que muda para as empresas
O volume de recursos ajuda a explicar por que os bancos aparecem entre os setores mais avançados do país em adoção de inteligência artificial: a fatia de R$ 6,9 bilhões em IA e nuvem já responde por quase 14% de todo o orçamento de tecnologia do setor para 2026. Para o cliente final, a tendência é sentir o efeito em atendimento automatizado e análise de crédito mais rápida. Para bancos menores e fintechs, o volume investido pelas grandes instituições eleva a régua de competitividade: acompanhar esse ritmo em nuvem, IA e cibersegurança tende a se tornar condição para não perder espaço no mercado financeiro digital.




