As empresas listadas na B3 perderam cerca de R$ 963 bilhões em valor de mercado entre 23 e 30 de outubro, uma queda de 16,94%, de acordo com levantamento da Elos Ayta divulgado pela CNN Brasil neste sábado (31). O número é novo na cobertura da semana em que o Ibovespa caiu mais de 18% depois da reeleição de Lula. Ele equivale a quase todos os R$ 972 bilhões que a bolsa havia acrescentado entre o fim de 2025 e 23 de outubro.
A maior parte do estrago veio na segunda-feira 26, primeiro pregão depois do segundo turno. O índice recuou quase 14% e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações. Nas sessões seguintes, oscilou entre cerca de 167 mil e 169 mil pontos e devolveu os ganhos de outubro. No ano, ainda acumula alta de aproximadamente 4%.
O dólar subiu e os juros futuros dispararam no mesmo período. A reportagem descreve o movimento como uma reprecificação de ativos brasileiros diante da incerteza sobre a política econômica e fiscal do novo mandato de Lula.
Varejo, bancos e imobiliárias lideram as perdas
Segundo a CNN Brasil, as maiores baixas ficaram com varejo, setor imobiliário, bancos e empresas de menor valor de mercado. Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, afirmou que esses segmentos são mais sensíveis a crédito, juros e atividade econômica.
Exportadoras e empresas de commodities, como Petrobras e Vale, seguraram parte da queda. De acordo com a analista, o dólar mais alto e o petróleo em alta ajudaram esses papéis.
Gustavo Cruz, CIO da Sincra, disse à CNN Money que a queda aconteceu com investidores brasileiros e estrangeiros fortemente posicionados em ativos locais. A reportagem também cita como fatores externos os balanços das big techs, que levantaram dúvidas sobre o crescimento dos lucros, e a alta do petróleo com tensões geopolíticas, que aumentou a incerteza sobre a inflação global.
Três pontos que definem a próxima semana
A direção do mercado na semana que vem depende, segundo a reportagem, de três fatores: a escolha do novo ministro da Fazenda e da equipe econômica, a decisão do Banco Central sobre os juros e o conflito entre Estados Unidos e Irã.
Bruna Centeno, sócia e assessora da Blue3 Investimentos, disse que a decisão do Banco Central pesa porque ainda não há clareza sobre a conduta fiscal do próximo governo. Na avaliação dela, a manutenção da taxa tende a acalmar os ânimos, porque indica que o BC segue atento ao equilíbrio de riscos. Um corte, afirmou, poderia ser lido como surpresa negativa e levar o Ibovespa a cair mais, por causa da preocupação com as contas públicas e a inflação.
Para quem tem ações ou fundos de renda variável, a semana reduziu o ganho do ano a cerca de 4% e transferiu a pergunta para Brasília: a composição da equipe da Fazenda e os sinais fiscais do governo serão lidos pelo mercado antes mesmo da decisão de juros.



