O Itaú Unibanco fechou a compra da NeoSpace, startup brasileira que desenvolve modelos fundacionais de inteligência artificial, por quase R$ 3 bilhões, segundo reportagem do Brazil Journal publicada nesta quarta-feira (28). O banco já era cliente da empresa havia dois anos e tinha uma participação minoritária nela.
Em janeiro de 2025, o Itaú aportou US$ 15 milhões na NeoSpace, a um valuation de cerca de US$ 100 milhões. O preço agora acertado equivale a aproximadamente seis vezes aquele valor e a cerca de dez vezes a receita estimada da startup para 2026, de R$ 300 milhões, de acordo com a publicação.
Uma venda feita antes de uma rodada maior
A NeoSpace negociava uma captação de US$ 250 milhões com fundos internacionais quando aceitou a oferta do banco. Segundo o Brazil Journal, essa rodada seria feita a um valuation superior ao da transação com o Itaú. A startup optou por vender mesmo assim.
A empresa foi fundada em 2023 por Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs. Pierobon também é o fundador da Zup, que o Itaú comprou em outubro de 2019 por R$ 500 milhões para acelerar a transformação digital do banco. Entre os investidores-anjo da NeoSpace estão Martín Escobari, da General Atlantic, Micky Malka, da Ribbit Capital, Nigel Morris, da QED, e Hans Morris, da NYCA Partners.
O time inclui cerca de 80 pesquisadores especializados em IA. Pierobon afirmou à reportagem que a equipe trabalha no tema há mais de três anos.
Por que o banco quer o modelo dentro de casa
O CIO do Itaú, Ricardo Guerra, disse que o banco enxergou na NeoSpace a chance de ter um modelo avançado de IA próprio, treinado sobre os dados de hábitos financeiros que a instituição acumula. Ele descreveu a ambição como a de um "ChatGPT financeiro", e afirmou que dominar a tecnologia passou a ser central para o trabalho do banco e que o Itaú não quer depender de terceiros.
Segundo a reportagem, o retorno financeiro direto não foi o fator decisivo. Pesaram a retenção dos pesquisadores, a melhoria da modelagem de crédito e a prevenção a fraudes. Guerra também afirmou que, em breve, não deve fazer mais sentido usar um aplicativo de celular organizado em menus.
O que muda para o cliente e para o mercado
Para o cliente do banco, a mudança que o Itaú descreve é de interface: em vez de navegar por telas e menus, o usuário conversaria com um assistente que conhece seu histórico financeiro. O banco não informou prazo para isso chegar ao aplicativo, e a reportagem não traz data de lançamento.
Para o mercado, a operação mostra um grande banco brasileiro pagando caro para internalizar uma equipe de pesquisa, em vez de contratar modelos de provedores estrangeiros. O negócio repete o roteiro da Zup, de 2019, com um cheque cerca de seis vezes maior. A conclusão formal da compra depende das etapas regulatórias usuais, que a fonte não detalha.



