quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · Edição diária

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Nvidia investe US$ 3 bi em ações da Meta e amarra o agente Muse aos chips Vera Rubin

A Nvidia comprará US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) em ações da Meta, que projeta gastar de US$ 135 bi a US$ 145 bi em capex em 2026 e vai usar a plataforma Vera Rubin no Muse.

Corredor de servidores em um data center
A Meta pretende ampliar o uso da infraestrutura da Nvidia para treinar e rodar o agente Muse. Foto: Pexels

A Nvidia vai investir US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16 bilhões) na oferta de ações da Meta e ampliar a parceria para desenvolver o Muse, o agente de inteligência artificial da dona do Facebook. O acordo foi noticiado pela Reuters na terça-feira (27) e detalhado pelo Canaltech nesta quarta-feira (28).

Segundo o Canaltech, o objetivo das duas empresas é melhorar o desempenho no treinamento dos modelos e na inferência, etapa em que a IA processa pedidos e produz respostas. A parceria também busca reduzir os custos de operação, enquanto a Meta amplia o uso de infraestrutura da Nvidia.

O que a Meta vai comprar da Nvidia

A Meta planeja adotar a plataforma Vera Rubin e os processadores Vera para sustentar os futuros agentes de IA. Na parte de redes, entram as tecnologias Spectrum-X e BlueField-4, voltadas à eficiência e à transferência de dados dentro dos data centers.

Duas peças seguem em avaliação, sem implantação confirmada: o OpenShell, para execução segura de agentes, e o Sentry, para monitorar o comportamento deles. Em fevereiro, as empresas já tinham anunciado um acordo de vários anos em que a Meta previa instalar milhões de GPUs Blackwell e Rubin. A Meta também usa a computação confidencial da Nvidia para processar recursos de IA de forma privada no WhatsApp.

Muse e a aposta em superinteligência pessoal

A Meta apresentou o Muse em setembro de 2026. O agente executa tarefas a partir de pedidos do usuário, como abrir um navegador, preencher formulários, organizar planos e reservar viagens. Antes de ações sensíveis, como enviar e-mails ou fazer compras, ele pede aprovação.

O produto está no centro da estratégia de Mark Zuckerberg de chegar à chamada superinteligência pessoal, com agentes que acompanham os objetivos do usuário e assumem parte do trabalho diário. A Meta trata o Muse como o primeiro passo nessa direção.

Quanto a Meta precisa captar para bancar a infraestrutura

O aporte da Nvidia entra em uma captação que a Meta planejou inicialmente em US$ 95 bilhões e que pode chegar a US$ 97,5 bilhões. A oferta de ações ordinárias subiu de US$ 22,5 bilhões para US$ 25 bilhões. A estrutura soma US$ 37,5 bilhões em ações e títulos conversíveis, mais um programa futuro de cerca de US$ 60 bilhões.

Essa segunda etapa depende da criação do programa e das condições dele, de modo que o total não é dinheiro já recebido. Para 2026, a Meta projeta investimentos de capital entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, incluindo pagamentos de arrendamento financeiro. Depois de divulgar o balanço do terceiro trimestre, a empresa elevou o piso da estimativa, que antes era de US$ 130 bilhões.

Na prática, a Nvidia passa a ser ao mesmo tempo fornecedora e acionista de uma de suas maiores clientes. Os US$ 3 bilhões representam uma fração do que a Meta pretende gastar em chips, redes e data centers, mas ligam o desempenho do Muse à plataforma Vera Rubin e deixam a Meta mais dependente da arquitetura da Nvidia nos próximos anos.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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