A Opera começou a liberar o WebAI, recurso que permite a sites e extensões usar modelos de inteligência artificial executados no próprio computador, segundo comunicado da empresa divulgado nesta terça-feira (27) e relatado pelo Canaltech. A proposta é oferecer funções de IA sem assinatura e sem enviar o conteúdo processado a um provedor na nuvem.
O lançamento é uma prévia antecipada e opcional. Os primeiros recursos chegam ao Opera One, enquanto o Opera GX e o Opera Neon receberão a integração em outro momento, conforme a empresa.
Como o processamento sai do servidor
Na prática, páginas e extensões compatíveis passam a recorrer a modelos instalados no dispositivo. Eles podem gerar textos, classificar conteúdo e identificar relações entre informações. O processamento é integrado ao navegador, sem aplicativo de IA separado e sem servidor local.
Para quem desenvolve, a mudança está no custo. O trabalho que hoje roda em servidores passa para o computador de quem acessa o site ou usa a extensão, e não há cobrança por solicitação. Entre os exemplos citados estão a identificação de vagas de emprego relevantes e o destaque de trechos de artigos, que são possibilidades do recurso, não funções já prontas no navegador.
Os modelos disponíveis incluem o Gemma, do Google, e o Apple Foundation Model, da Apple, este em Macs compatíveis. O usuário pode escolher entre os modelos suportados. A velocidade das respostas depende do hardware da máquina.
Quem consegue usar e como ativar
Nesta etapa, o WebAI funciona em Windows de 64 bits com processadores Intel ou AMD e em Macs com Apple Silicon. Ficam de fora Macs com chips Intel, Linux e Windows em processadores Arm.
O recurso precisa ser ligado pelo usuário, e nenhum modelo é baixado antes da autorização. Há também permissões por site, que definem quais páginas podem acessar a IA local. Segundo a Opera, o caminho é instalar ou atualizar o Opera One, abrir as configurações, entrar em "Opera AI" e ativar a opção "Enable Web AI API". Depois, é preciso esperar o download de um modelo compatível, que pode levar alguns minutos.
A empresa disponibilizou duas extensões de demonstração. Uma cria perguntas sobre um artigo para testar a compreensão do leitor. A outra transforma o texto em uma visualização animada que aproxima frases com significados semelhantes.
O que muda para quem desenvolve e para quem navega
Para o usuário, a diferença está em onde o conteúdo é processado: nesta modalidade, o texto analisado fica no computador, e não em um provedor externo. O Canaltech não detalha outras práticas de privacidade da Opera, de modo que o alcance dessa garantia depende de como cada extensão for construída.
Para desenvolvedores, a possibilidade de oferecer IA sem pagar por chamada pode reduzir o custo de pequenas extensões e sites. O limite está nos requisitos de hardware e na lista curta de plataformas aceitas. Desde 2024, a Opera já oferece acesso a modelos locais em uma versão experimental voltada a desenvolvedores, e o WebAI amplia essa oferta para uma prévia aberta a quem usa o Opera One.



