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Opera libera IA que roda no próprio PC e dispensa assinatura e nuvem

O WebAI permite que sites e extensões usem modelos como o Gemma, do Google, direto no computador do usuário. Funciona só em Windows 64 bits e Macs com Apple Silicon, e só depois de o usuário autorizar o download.

Notebook exibindo um navegador de internet aberto
O WebAI chega primeiro ao Opera One, em versão prévia e opcional, e depois ao Opera GX e ao Opera Neon. Foto: Pexels / cottonbro studio

A Opera começou a liberar o WebAI, recurso que permite a sites e extensões usar modelos de inteligência artificial executados no próprio computador, segundo comunicado da empresa divulgado nesta terça-feira (27) e relatado pelo Canaltech. A proposta é oferecer funções de IA sem assinatura e sem enviar o conteúdo processado a um provedor na nuvem.

O lançamento é uma prévia antecipada e opcional. Os primeiros recursos chegam ao Opera One, enquanto o Opera GX e o Opera Neon receberão a integração em outro momento, conforme a empresa.

Como o processamento sai do servidor

Na prática, páginas e extensões compatíveis passam a recorrer a modelos instalados no dispositivo. Eles podem gerar textos, classificar conteúdo e identificar relações entre informações. O processamento é integrado ao navegador, sem aplicativo de IA separado e sem servidor local.

Para quem desenvolve, a mudança está no custo. O trabalho que hoje roda em servidores passa para o computador de quem acessa o site ou usa a extensão, e não há cobrança por solicitação. Entre os exemplos citados estão a identificação de vagas de emprego relevantes e o destaque de trechos de artigos, que são possibilidades do recurso, não funções já prontas no navegador.

Os modelos disponíveis incluem o Gemma, do Google, e o Apple Foundation Model, da Apple, este em Macs compatíveis. O usuário pode escolher entre os modelos suportados. A velocidade das respostas depende do hardware da máquina.

Quem consegue usar e como ativar

Nesta etapa, o WebAI funciona em Windows de 64 bits com processadores Intel ou AMD e em Macs com Apple Silicon. Ficam de fora Macs com chips Intel, Linux e Windows em processadores Arm.

O recurso precisa ser ligado pelo usuário, e nenhum modelo é baixado antes da autorização. Há também permissões por site, que definem quais páginas podem acessar a IA local. Segundo a Opera, o caminho é instalar ou atualizar o Opera One, abrir as configurações, entrar em "Opera AI" e ativar a opção "Enable Web AI API". Depois, é preciso esperar o download de um modelo compatível, que pode levar alguns minutos.

A empresa disponibilizou duas extensões de demonstração. Uma cria perguntas sobre um artigo para testar a compreensão do leitor. A outra transforma o texto em uma visualização animada que aproxima frases com significados semelhantes.

O que muda para quem desenvolve e para quem navega

Para o usuário, a diferença está em onde o conteúdo é processado: nesta modalidade, o texto analisado fica no computador, e não em um provedor externo. O Canaltech não detalha outras práticas de privacidade da Opera, de modo que o alcance dessa garantia depende de como cada extensão for construída.

Para desenvolvedores, a possibilidade de oferecer IA sem pagar por chamada pode reduzir o custo de pequenas extensões e sites. O limite está nos requisitos de hardware e na lista curta de plataformas aceitas. Desde 2024, a Opera já oferece acesso a modelos locais em uma versão experimental voltada a desenvolvedores, e o WebAI amplia essa oferta para uma prévia aberta a quem usa o Opera One.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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