domingo, 1 de novembro de 2026 · Edição diária

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JPMorgan separa 225 ações de IA fora do radar e vê as melhores apostas longe das gigantes

Em estudo global, o banco filtrou 2.636 empresas expostas à cadeia de IA até chegar a 937 ações. Dessas, 225 são "novas oportunidades", e 672 da lista final são de pequena e média capitalização.

Telas de operadores com cotações do mercado financeiro
Estudo do JPMorgan mapeou 2.636 empresas ligadas à cadeia de inteligência artificial, a maioria fora das cestas temáticas tradicionais. Foto: Pexels / Саша Алалыкин

O JPMorgan afirma que o ciclo de investimentos em inteligência artificial está longe do fim e que as melhores oportunidades para investidores estão fora do grupo de gigantes de tecnologia. A conclusão consta de um estudo global do banco, divulgado pelo InfoMoney neste domingo (1º), que identificou 225 ações classificadas como "novas oportunidades", ainda pouco exploradas pelo mercado.

O ponto de partida foi um universo de 2.636 empresas expostas à cadeia de IA. Segundo o banco, 73% delas não fazem parte de ETFs de IA nem das cestas temáticas que os investidores costumam acompanhar. Depois de filtros de exposição de receita e da avaliação dos analistas setoriais, a lista caiu para 937 ações: 672 de pequena e média capitalização (as chamadas SMid Caps) e 265 de grandes empresas.

Pequenas e médias dominam o mapa

As empresas de menor porte respondem por 81% de todas as companhias expostas à IA que o banco encontrou e por 77% do universo considerado líquido para investidores institucionais. Para os estrategistas, é nesse grupo que estão hoje as oportunidades mais atraentes, ao contrário do que sugere o consenso de mercado.

O argumento é que muitas dessas empresas ocupam posições estratégicas na cadeia produtiva da tecnologia. Elas fornecem componentes, infraestrutura, redes, energia, conectividade, equipamentos industriais e serviços especializados. Os setores preferidos pelo banco são tecnologia, indústria, materiais básicos e infraestrutura, todos beneficiados pela expansão de data centers e semicondutores.

Em termos geográficos, a maior concentração de oportunidades está nos Estados Unidos, que somam cerca de 32% das empresas da carteira global de IA, e na Ásia. Entre as apostas citadas estão empresas de infraestrutura de data centers, fabricantes de equipamentos para semicondutores, fornecedoras de componentes para chips avançados, companhias de software corporativo e empresas que ampliam a rede elétrica necessária ao crescimento da IA. O banco também menciona segmentos menos óbvios, como construção de infraestrutura energética, serviços de TI e imobiliárias especializadas em data centers.

O gasto bilionário que o banco diz ser sustentável

Uma das dúvidas dos investidores é se os gastos com IA podem continuar nesse ritmo. O JPMorgan calcula que apenas 189 empresas respondem por cerca de 90% de todo o investimento global em IA dos últimos três anos. Pelas contas do banco, esses 189 maiores investidores poderiam financiar o equivalente a 508% dos gastos globais previstos para 2027, somando geração de caixa e capacidade de endividamento.

Com base nisso, o banco considera que o "superciclo" de investimentos tem bases financeiras sólidas e pode seguir impulsionando a demanda por semicondutores, infraestrutura, data centers, energia e software nos próximos anos. Os estrategistas reconhecem, porém, que o rali da IA perdeu força desde maio.

Onde está o risco para quem compra

O relatório também traz um alerta. Segundo o banco, boa parte do universo de IA já negocia com múltiplos elevados: quando os valuations atuais são comparados ao crescimento esperado dos lucros, muitas empresas parecem tão caras quanto durante a bolha da tecnologia no início dos anos 2000. Ou seja, nem toda ação ligada ao tema é oportunidade.

Na prática, a recomendação é ampliar o olhar para além das big techs, mas com seleção de papéis. Para o investidor brasileiro, que acessa esse mercado por BDRs, fundos ou ETFs, o estudo indica que uma carteira temática concentrada nos nomes mais famosos pode deixar de fora a maior parte da cadeia. O InfoMoney não detalha na matéria a lista completa das 225 ações.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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