sábado, 31 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Vieira e Rubio combinam reunião antes da cúpula do G20 em Miami, em 14 e 15 de dezembro

O chanceler brasileiro e o secretário de Estado americano conversaram rapidamente em Atlanta e marcaram uma bilateral antes da cúpula de 14 e 15 de dezembro, num momento em que Trump evitou reconhecer a vitória de Lula.

Chanceler Mauro Vieira em audiência na Câmara dos Deputados
Mauro Vieira se encontrou com Marco Rubio no coquetel de abertura da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, na noite de sexta-feira (30). Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram na noite de sexta-feira (30), em Atlanta, no primeiro encontro entre os dois depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da saída do país do candidato derrotado Flávio Bolsonaro, segundo a Agência Brasil.

O contato aconteceu no coquetel de boas-vindas da reunião de ministros de Relações Exteriores do G20, grupo das principais economias do planeta. A conversa foi breve, e os dois combinaram uma reunião bilateral antes da cúpula de líderes, marcada para os dias 14 e 15 de dezembro, em Miami. A reportagem não informa data nem pauta dessa bilateral.

Os Estados Unidos ocupam a presidência do G20 em 2026. A Casa Branca realiza o encontro de chanceleres em Atlanta entre sexta-feira e sábado (31), com temas de geopolítica, mercado de energia e cadeias de suprimentos globais.

Um encontro num momento diplomático delicado

A Agência Brasil descreve o contexto como diplomaticamente delicado. O presidente Donald Trump evitou reconhecer a vitória de Lula e autorizou a entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos depois de a Justiça brasileira proibir a saída do senador do país. Flávio, de acordo com a agência, evita reconhecer a derrota.

Parlamentares democratas enviaram uma carta a Rubio para questionar a suposta ajuda da Casa Branca à viagem do senador. Flávio deixou o Brasil durante investigações por lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas e nega qualquer irregularidade.

Derrotado nas urnas em 25 de outubro, o senador saiu do país depois que a Polícia Federal pediu o confisco de seu passaporte, por entender que ele poderia fugir. Uma das investigações trata de um pagamento de R$ 60 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para um filme sobre Jair Bolsonaro, chamado Dark Horse. Em outro processo, a PF apura as relações de Flávio com o advogado Willer Tomaz, dono de bet acusado de lavagem de dinheiro e de envolvimento na fraude do INSS. Mais de R$ 6 bilhões de Tomaz foram bloqueados pela Justiça.

Outros chanceleres cumprimentaram Vieira

Na sexta-feira, Vieira participou da sessão de abertura e teve reuniões bilaterais com os chanceleres da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, do Reino Unido, Ed Miliband, e da Polônia, Radosław Sikorski. Segundo o Itamaraty, os três o cumprimentaram pela conclusão do processo eleitoral e pela reeleição de Lula.

O ministério informou em rede social que Jaishankar pediu a Vieira que transmitisse a Lula as congratulações do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, pelo triunfo eleitoral.

O que a bilateral de dezembro define

A conversa em Atlanta não produziu acordo, e a conversa formal ficou para antes de Miami. Até lá, o governo brasileiro chega à cúpula sem o reconhecimento público de Trump à vitória de Lula, e com um senador derrotado, investigado no Brasil, autorizado a permanecer em território americano.

Para empresas e investidores com negócios entre os dois países, a bilateral entre Vieira e Rubio será o primeiro canal formal para tratar desses temas em um fórum em que energia e cadeias de suprimentos estão na pauta. O governo americano preside o G20, e é ele quem define a agenda da cúpula em que Lula deve encontrar Trump.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.