domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Vorcaro: doações a Bolsonaro e Tarcísio foram propina via Kassab

Em delação rejeitada pela PF e pela PGR, o ex-dono do Banco Master classificou R$ 5 milhões em doações oficiais de 2022 como contrapartida por Credcesta. Kassab chama o relato de fantasioso; Tarcísio nega qualquer relação com Vorcaro.

Gilberto Kassab
Gilberto Kassab, presidente do PSD, nega o relato de Vorcaro sobre propina nas campanhas de 2022. Foto: Jérémy Barande / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro afirmou, em proposta de delação premiada rejeitada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República, que os R$ 5 milhões doados às campanhas de Jair Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022 foram propina articulada com Gilberto Kassab, presidente do PSD. O relato, revelado pelo UOL e confirmado pela Folha e pelo Poder360 nesta quinta (3), consta em três versões da colaboração, todas recusadas por falta de fatos inéditos e de corroboração.

Segundo Vorcaro, o montante oficial veio via Fabiano Zettel, seu cunhado e investigado na Operação Compliance Zero: R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo e R$ 3 milhões para a reeleição de Bolsonaro. Ele classifica os pagamentos como "contrapartidas financeiras" de um "ajuste indevido" com Kassab para manter o Credcesta, cartão consignado ligado a empresas do grupo Master, no governo paulista após a posse de Tarcísio em janeiro de 2023.

Caixa dois de R$ 10 milhões e o papel do PSD

Além das doações oficiais, Vorcaro relatou cerca de R$ 10 milhões em espécie (caixa dois) destinados a campanhas do PSD, intermediados por Thiago Botelho. O acordo descrito pelo ex-banqueiro previa ainda 5% do resultado líquido das operações do Credcesta. A operação do cartão, segundo o próprio relato, começou no governo João Doria, por meio de empresa ligada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Kassab e Tarcísio negam

Kassab, em nota, chamou o relato de "absolutamente fantasioso" e disse refutar "com veemência". Afirmou que nunca falou com Vorcaro, que não tratou de Credcesta com Lima ou Botelho e que não recebeu doações ou valores em espécie. Tarcísio afirmou que nunca teve contato ou relação com Vorcaro, que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores e contas aprovadas, e que o credenciamento da empresa no consignado estadual veio da gestão anterior. Em entrevista na quinta, classificou a ilação como algo que "beira o ridículo".

Vorcaro está preso desde março. Em junho, após a segunda rejeição da delação, foi transferido para a Papudinha, no Distrito Federal. Em agosto, o advogado Daniel Bialski entrou na defesa e disse à GloboNews que o cliente "quer falar e quer colaborar" de novo se houver oportunidade.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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