O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia indicar o governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, para o Supremo Tribunal Federal no lugar do advogado-geral da União, Jorge Messias. A informação saiu primeiro na CNN Brasil e foi confirmada pela Folha nesta sexta (4).
A discussão voltou à mesa depois do embate aberto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça no STF. Auxiliares do Planalto tratam a troca como gesto de pacificação: Lula abriria mão, por ora, de insistir em Messias, rejeitado pelo Senado, em favor de um nome técnico da magistratura fluminense.
Couto no Guanabara e o cálculo eleitoral
Couto assumiu o Executivo do Rio em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL), e passou a revisar contratos e exonerar nomes. Lula elogiou a gestão em ato em Bangu e disse que o magistrado faz uma limpa no estado. No Datafolha mais recente citado pela Folha, a gestão interina tem aprovação de 47% e reprovação de 31% entre eleitores fluminenses.
O nome de Couto já era cogitado há cerca de dois meses, segundo auxiliares. A escolha também mira capital político em um dos maiores colégios eleitorais do país, a um mês do primeiro turno.
Pressão por Andrei e o preço de largar Messias
Abrir mão de Messias seria derrota amarga para o presidente, que chegou a falar em reapresentar o chefe da AGU. Por isso, uma ala do governo defende que a desistência venha acompanhada da demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Esses aliados dizem que Andrei perdeu condição de comandar a corporação e criticam o alinhamento dele com a ala do STF ligada a Moraes e Gilmar Mendes.
Na terça (1º), Gilmar cobrou de Lula apoio à cúpula da PF no atrito com Mendonça sobre o Banco Master. Colaboradores do presidente resumem o freio de arrumação como sacrifício de dois aliados em lados opostos da contenda: Messias e Andrei. Lula ainda não fechou a indicação.



