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Lula almoça com Motta e Alcolumbre e quer votar em 2026 a PEC que usa R$ 12 bi de emendas

Um dia após a reeleição, o presidente recebeu os chefes da Câmara e do Senado, fora da agenda oficial. O PT quer aprovar até dezembro a PEC que dedica 26,8% das emendas obrigatórias ao transporte gratuito aos fins de semana, em troca de apoio à recondução dos dois.

Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, em Brasília
Lula recebeu os presidentes da Câmara e do Senado para um almoço no Palácio da Alvorada, em Brasília, na segunda-feira (26). Foto: Pexels / Murillo Molissani

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu nesta segunda-feira (26), no Palácio da Alvorada, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Segundo o Poder360, o almoço ocorreu um dia depois da vitória sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e fora da agenda oficial.

Motta e Alcolumbre haviam telefonado a Lula no domingo (25) para parabenizá-lo. Os dois apoiaram a candidatura do petista. De acordo com a reportagem, o encontro serviu para definir a pauta de votação do Congresso até o fim do ano.

A PEC da tarifa zero e os R$ 12 bilhões em emendas

A prioridade do PT, segundo o Poder360, é votar até o fim de 2026 a PEC da tarifa zero, enviada por Lula ao Congresso em 21 de outubro. A proposta prevê transporte público gratuito aos fins de semana e feriados a partir de 2027.

O financiamento sai das emendas parlamentares. A PEC destina 26,8% das emendas individuais e de bancada de execução obrigatória à medida, o que equivale a cerca de R$ 12 bilhões, conforme o valor estimado citado pela reportagem. O governo afirma que a proposta não aumenta a despesa primária. O modelo de repasse às prefeituras e às empresas de transporte ficaria para uma regulamentação posterior.

Como o dinheiro vem de uma fatia das emendas, a PEC depende de deputados e senadores abrirem mão de parte do orçamento que controlam. É por isso que o apoio de Motta e Alcolumbre pesa mais nessa votação do que em projetos comuns do Executivo.

Outros projetos na fila

O Poder360 lista propostas que já avançaram com o aval dos dois presidentes: o fim da escala 6x1, o aumento do limite de faturamento do MEI e a renegociação de dívidas da Dívida Ativa da União. Também estão em articulação a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos e o Redata, que trata de data centers.

A reportagem observa que Lula não conseguiu eleger uma maioria no Congresso. O quarto mandato começa em janeiro de 2027, e o Planalto precisará ampliar a base para aprovar suas propostas.

Quem comanda as Casas a partir de fevereiro

A eleição para as presidências da Câmara e do Senado será em 1º de fevereiro de 2027. Motta e Alcolumbre querem permanecer no cargo por mais dois anos e, de acordo com o Poder360, devem receber apoio integral de Lula.

O PT deve anunciar na terça-feira (27) o apoio à reeleição de Motta, após discussão na direção do partido e na bancada. Em troca, o partido busca um lugar na Mesa Diretora, seja a Primeira Secretaria ou uma vice-presidência, e o comando de comissões estratégicas: Constituição e Justiça (CCJ), Orçamento (CMO) e Finanças e Tributação (CFT).

O desenho aproxima a votação da PEC do calendário da disputa interna. Se o apoio do PT a Motta e o de Lula a Alcolumbre se confirmarem, a pauta de 2026 será negociada com quem depende do governo para continuar no comando. A reportagem não informa o conteúdo detalhado da conversa nem acordos formais além dos descritos.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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