O dólar subiu 8,36% nesta segunda-feira (26) e fechou a R$ 5,4066, na primeira sessão depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no domingo (25). Segundo a CNN Brasil, com informações da Reuters, foi a maior alta diária da moeda americana em 23 anos e o maior valor de fechamento desde 2 de janeiro de 2026.
Na máxima da manhã, a cotação chegou a passar de R$ 5,60 antes de perder força. Para o mercado, o resultado das urnas virou preço em poucas horas: investidores que apostavam em Flávio Bolsonaro (PL) refizeram posições em câmbio, ações e juros ao mesmo tempo.
Bolsa aciona circuit breaker e juros futuros disparam
O Ibovespa caiu 13,88% e terminou o dia aos 176.608,23 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a recuar mais de 17%, até 169.516,43 pontos, o que acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações. De acordo com a CNN Brasil, foi a maior queda percentual em um dia desde 16 de março de 2020, quando o índice perdeu 13,92% no início da pandemia de Covid-19.
Os juros futuros também subiram com força. Os contratos de DI fecharam em alta, e alguns vencimentos avançaram mais de 250 pontos-base, segundo a mesma reportagem. Taxas de DI mais altas indicam que o mercado passou a exigir mais retorno para financiar o governo e as empresas nos próximos anos.
Duas medições para o mesmo recorde
As fontes consultadas não usam a mesma régua. A CNN Brasil trata a alta de 8,36% na cotação de fechamento como a maior em 23 anos e informa que o recorde anterior era de 5 de março de 2003, quando a moeda subiu 10,4%.
O Poder360 olha para a taxa Ptax, calculada pelo Banco Central, que subiu 9,20% e chegou a R$ 5,40. Por esse indicador, foi a terceira maior alta diária desde o início do Plano Real, em 1994. Na frente aparecem 15 de janeiro de 1999, com 11,10%, durante a crise cambial, e 8 de outubro de 2008, com 9,33%, no auge da crise financeira internacional. Atrás vem 18 de maio de 2017, o chamado Joesley Day, com 8,79%, depois da divulgação da gravação de Joesley Batista com o então presidente Michel Temer.
A diferença entre as duas leituras vem do cálculo: a Ptax é uma média das cotações ao longo do dia, e o fechamento é o último preço negociado. Em ambos os casos, o movimento fica entre os maiores da história recente do câmbio brasileiro.
O que o mercado cobra da política fiscal
Segundo o Poder360, os investidores apostavam em Flávio Bolsonaro, visto como mais disposto a fazer ajuste fiscal e conter despesas públicas. A CNN Brasil afirma que a reação apagou parte dos ganhos que os ativos brasileiros tiveram depois do primeiro turno, quando Flávio aparecia na frente, e que a preocupação central é o rumo da política fiscal.
Nenhuma das duas reportagens traz projeções de analistas para os próximos dias, nem declarações do governo sobre a queda. Também não há, nos textos, estimativa de repasse do câmbio a preços ou ao custo do crédito. O que está registrado é o tamanho do choque: uma moeda 8,36% mais cara, uma Bolsa quase 14% mais barata e juros futuros pressionados em um único pregão, a pouco mais de dois meses da posse, marcada para 5 de janeiro de 2027.



