A Microsoft registrou lucro líquido de US$ 36,6 bilhões no primeiro trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em setembro, alta de 32% sobre um ano antes, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (28) e reportado pela Exame. A receita somou US$ 92,3 bilhões, avanço de 19% e cerca de US$ 1,7 bilhão acima dos US$ 90,6 bilhões projetados por analistas. O lucro por ação ajustado ficou em US$ 4,89, contra US$ 4,71 do consenso da FactSet.
O salto de 32% no lucro tem um componente contábil. No mesmo período do ano passado, a Microsoft lançou uma perda de US$ 3,1 bilhões ligada aos investimentos na OpenAI. Agora, a participação na empresa gerou ganho de US$ 207 milhões. Sem esse efeito de base, o lucro foi de US$ 36,4 bilhões, alta de 18%.
Azure cresce 48% e carteira chega a US$ 677 bilhões
O Azure, nuvem da companhia, faturou US$ 33,2 bilhões, 48% a mais que um ano antes e acima dos 44,3% esperados pelo mercado. Só ele já responde por mais de um terço da receita total. Considerando também o Microsoft 365 e outros serviços comerciais, a receita de nuvem foi de US$ 63,9 bilhões, alta de 30%, ante 27% no trimestre anterior.
A carteira de contratos a cumprir (RPO, na sigla em inglês) chegou a US$ 677 bilhões, 73% acima do ano passado. Cerca de 30% desse total, algo como US$ 200 bilhões, deve virar receita em 12 meses. Os novos contratos fechados no trimestre, por outro lado, caíram 12%, porque a base de comparação inclui um grande contrato do Azure assinado um ano antes.
Metade da receita vira chip e servidor
O investimento em ativos, incluindo arrendamentos financeiros, foi de US$ 45,2 bilhões, alta de 30% e equivalente a quase metade da receita do período. Segundo a Exame, aproximadamente três quartos desse valor foram para ativos de vida curta, sobretudo processadores e GPUs que sustentam os serviços de IA. O desembolso em caixa com propriedades e equipamentos dobrou, para US$ 39,4 bilhões.
O efeito aparece no caixa. O fluxo de caixa operacional subiu 29%, para US$ 58 bilhões, mas o fluxo de caixa livre caiu 27%, para US$ 18,6 bilhões. A Microsoft devolveu US$ 10,2 bilhões a acionistas, sendo US$ 7,3 bilhões em dividendos e US$ 2,9 bilhões em recompra de ações.
A margem bruta da nuvem recuou de US$ 68 para US$ 66 a cada US$ 100 de receita. A explicação está no próprio Azure: o produto que mais cresce rende menos por dólar que os demais da casa. A margem operacional geral, ainda assim, subiu de 49% para 50%, com despesas operacionais 6% maiores e quadro de funcionários 2% menor.
O que ficou fora do ritmo da IA
O segmento de dispositivos e consumo faturou US$ 15,5 bilhões, queda de 3%. As licenças do Windows para fabricantes de PCs e os aparelhos da própria Microsoft caíram 22%, pressionados pela comparação com o fim do suporte ao Windows 10, pelo ajuste de estoques e pela demanda mais fraca por computadores. No Xbox, os serviços e conteúdo recuaram 2% e os consoles, 14%.
Para quem acompanha o setor, o balanço mostra a conta da corrida por capacidade de IA: a receita de nuvem acelera e os contratos já assinados garantem demanda, mas o caixa disponível encolhe enquanto a empresa compra chips. As ações, que haviam fechado em queda antes da divulgação, subiram 4,4% depois dela, de acordo com a Exame.


