quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · Edição diária

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Estudo do MIT com a Deloitte vê Brasil lucrar em leilão de baterias de R$ 20 bilhões até dezembro

Relatório do MIT Technology Review Brasil com a Deloitte, apresentado no Rio de Janeiro, lista dez tendências até 2050 e aponta o Brasil com vantagem na corrida por data centers, baterias e hidrogênio verde graças à matriz elétrica majoritariamente renovável.

Painéis solares e turbinas eólicas em usina de energia renovável no Brasil
Estudo apresentado no Rio de Janeiro aponta o Brasil entre os países mais bem posicionados na transição energética global. Foto: Pexels

Um estudo do MIT Technology Review Brasil, feito com apoio da Deloitte e apresentado nesta quarta-feira (28) no Energy Summit, no Rio de Janeiro, projeta que o consumo de eletricidade dos data centers no país pode mais que dobrar até 2030. O levantamento aponta o Brasil entre os países mais bem posicionados para lucrar com a transição energética global, graças a uma matriz elétrica majoritariamente renovável.

A pesquisa analisou mais de 60 macrotendências tecnológicas e regulatórias antes de selecionar as dez que devem moldar o setor de energia até 2050. Uma delas, batizada de "energia para IA e IA para energia", descreve como o avanço da inteligência artificial pressiona a demanda elétrica ao mesmo tempo em que fornece ferramentas para otimizar redes e usinas, com desenvolvimento previsto entre 2026 e 2028.

Onde o Brasil tem vantagem

Segundo o levantamento, a energia hidrelétrica responde hoje por 57,3% da matriz brasileira, a eólica soma 11,3%, a biomassa 7,5% e a solar 2,5%. Essa base renovável coloca o país em posição favorável para atrair data centers sustentáveis e para processar minerais críticos como lítio, níquel, nióbio e terras raras, usados em baterias e equipamentos de rede elétrica.

O documento cita ainda a produção de biocombustíveis, como combustível sustentável de aviação, biometano e etanol, além da infraestrutura portuária para exportação de hidrogênio verde, como frentes em que o país pode se diferenciar. Entre os obstáculos apontados estão a regulação considerada inadequada, o financiamento limitado e a dificuldade de escalar projetos comerciais.

O leilão de baterias marcado para dezembro

Como exemplo da transição em curso, o estudo cita os dois leilões de armazenamento em baterias previstos pelo governo para dezembro, que devem movimentar cerca de R$ 20 bilhões, com os primeiros contratos entrando em vigor em agosto de 2028. A tendência chamada de "flexibilidade e armazenamento em escala" aparece entre as de desenvolvimento mais imediato no levantamento, com horizonte também entre 2026 e 2028.

Outras tendências mapeadas envolvem robótica e inteligência artificial aplicadas ao petróleo e gás, soluções baseadas na natureza e biorrefinarias, todas com maturação prevista até 2030. Já a fusão nuclear e a captação de energia no espaço aparecem como apostas de prazo mais longo, com desenvolvimento esperado a partir de 2035 e 2038, respectivamente.

Quem decide se o Brasil aproveita a janela

O estudo afirma que aproveitar essas oportunidades depende de decisões regulatórias e de financiamento que ainda não estão resolvidas no país. A falta de um marco regulatório adequado e o acesso limitado a crédito de longo prazo aparecem como os principais fatores que podem atrasar investimentos em biocombustíveis, hidrogênio verde e processamento de minerais críticos.

Com o consumo de eletricidade dos data centers podendo mais que dobrar até 2030, o relatório defende que o país precisa conciliar esse crescimento de demanda com a descarbonização e a segurança do fornecimento. O documento chama essa estratégia de "adição energética": somar novas fontes renováveis à matriz sem substituir de imediato as fontes tradicionais.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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