O Grupo de Administração e Implantação da Faixa de 5G (GAISPI), coordenado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), aprovou nesta terça-feira (27) o uso de R$ 1,66 bilhão em recursos excedentes do leilão do 5G, de acordo com reportagem da CNN Brasil. O pacote inclui a aprovação formal de R$ 375 milhões para um data center de inteligência artificial da União, cuja construção já vinha sendo discutida, e destina R$ 1,28 bilhão à distribuição de conversores de TV 3.0 para famílias de baixa renda.
De onde vem a sobra do leilão do 5G
A Entidade Administradora da Faixa (EAF), responsável por aplicar os recursos do leilão em políticas públicas de telecomunicações, apresentou as duas propostas ao GAISPI. Segundo a CNN Brasil, a aprovação ainda precisa passar pelo Conselho Diretor da Anatel antes de entrar em execução.
O dinheiro aprovado vem das economias obtidas na execução dos compromissos originais do leilão. Além dos R$ 1,66 bilhão já destinados, a EAF mantém disponíveis R$ 1,69 bilhão para projetos futuros, preservando uma reserva de R$ 2 bilhões com margem de segurança de 10% sobre o total do fundo.
Edson Holanda, conselheiro da Anatel e presidente do GAISPI, afirmou que a otimização dos recursos amplia o espaço para novas políticas públicas sem alterar as obrigações originalmente previstas no edital do 5G.
O data center de 48 GPUs para a União
A proposta de infraestrutura de inteligência artificial prevê investimento de R$ 375 milhões e a construção de um prédio de aproximadamente 5 mil metros quadrados, com prazo de implantação de 12 meses. O data center terá titularidade da União e será operado pela estatal Telebras.
A estrutura terá dois módulos, segundo a CNN Brasil. O primeiro será dedicado a processamento de inteligência artificial, com 20 racks, seis servidores equipados com 48 GPUs (unidades de processamento gráfico) e sistemas de armazenamento. O segundo módulo abrigará serviços tradicionais de tecnologia da informação e colocação de equipamentos de terceiros.
A fatia maior dos recursos, R$ 1,28 bilhão, vai para a distribuição de conversores de TV 3.0 a famílias de baixa renda em São Paulo, Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A iniciativa deve atender cerca de 910 mil famílias, com prioridade para beneficiários do Bolsa Família inscritos no Cadastro Único.
Quem recebe o conversor primeiro
O custo estimado por família é de R$ 1.407,36, e o prazo de distribuição se estende por até 24 meses, com início em São Paulo antes da chegada ao Rio de Janeiro e ao Distrito Federal. A ordem prioriza domicílios já registrados no CadÚnico como beneficiários do Bolsa Família.
Para o data center de IA, o cronograma de 12 meses depende da deliberação final do Conselho Diretor da Anatel, etapa que ainda não tem data confirmada. Até essa decisão, a Telebras aguarda a formalização para assumir a operação da estrutura que vai processar dados do governo federal.



