O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou na sexta-feira (23) o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens do advogado Willer Tomaz, segundo o g1 e o Valor Econômico. A decisão integra o inquérito que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Tomaz e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência no segundo turno de domingo (25).
De acordo com o g1, a Polícia Federal encontrou um email que mostra o senador cadastrado como 'usuário master' da conta bancária da Alcazar Holdings, empresa offshore controlada pelo advogado. O cadastro, segundo a apuração, concedia a Flávio 'elevado nível de acesso e de gerenciamento da conta', e ele teria permanecido nessa condição até pelo menos 22 de maio de 2025.
Como a defesa de Flávio responde
A defesa do senador nega que ele tenha compartilhado conta bancária com Tomaz e diz que a relação entre os dois 'se limita à amizade entre as famílias', segundo a Gazeta do Povo. Moraes é o relator do inquérito desde que ele chegou ao STF, em 8 de outubro, depois de a Polícia Federal pedir abertura de investigação sobre o caso.
As empresas suspensas pela decisão
Além do bloqueio de valores, Moraes determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer Tomaz, o cancelamento de seus passaportes, incluindo o diplomático, e a suspensão das atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as empresas ligadas a ele. A lista inclui a Alcazar Brasil Ltda. a Alcazar Holdings Unipessoal, a Alcazar Global Holdings e a Catedral Holdings SGPS, segundo a Gazeta do Povo.
Willer Tomaz foi identificado como o maior apostador do Brasil em 2025, com movimentação de cerca de R$ 5 bilhões em plataformas de apostas, conforme nota técnica do Ministério da Fazenda citada pelo Brasil de Fato. O advogado deixou o país em agosto, durante a Operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos de benefícios do INSS, e a Polícia Federal identificou que ele viajou para Miami, segundo a Gazeta do Povo.
O prazo de 24 horas para os bancos
Moraes deu 24 horas para que bancos e instituições financeiras enviem ao STF dados completos sobre as contas das empresas investigadas. O prazo corre a dois dias do segundo turno, em que Flávio Bolsonaro disputa a Presidência contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e amplia a pressão sobre a campanha do senador na reta final da eleição.
Entre as provas citadas pela investigação estão o email com o cadastro de Flávio como usuário master, pagamentos de viagens ao senador e registros de encontros entre os investigados, de acordo com o Brasil de Fato. Tomaz e Flávio negam ter negócios em comum e afirmam que a relação entre eles é de amizade.
Fontes consultadas
- g1 Política — Moraes manda bloquear R$ 6 bi de Willer Tomaz e determina que bancos informem dados da empresa Alcazar
- Valor Econômico — Moraes manda bloquear R$ 6 bi de Willer Tomaz e determina que bancos informem dados da empresa Alcazar
- Gazeta do Povo — Moraes determina quebra sigilos e bloqueia R$ 6 bilhões de advogado ligado a Flávio
- Brasil de Fato — Moraes manda bloquear R$ 6 bilhões de Willer Tomaz, que tinha conta conjunta com Flávio Bolsonaro


