Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (23), a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, mostra um empate técnico entre duas prioridades que os eleitores querem ver no próximo presidente, seja Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL). De acordo com o levantamento, 25% dos entrevistados apontam o combate à violência como a prioridade principal, e 24% citam a redução de impostos, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O instituto ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 20 e 22 de outubro, a pedido de Globo e Folha de S.Paulo, com nível de confiança de 95%. A pergunta tinha resposta única: cada entrevistado escolhia apenas uma opção entre uma lista fechada de temas apresentada pelo Datafolha, o que explica por que os porcentuais somam cerca de 100%.
O que vem depois da violência e dos impostos
Atrás do combate à violência e da redução de impostos, os eleitores citam a geração de empregos e a melhoria da educação, cada uma com 17% das respostas. Aumentar a renda da população aparece com 8%, reduzir a dívida pública tem 5% e conceder anistia a condenados por participação na tentativa de golpe de 2022 soma 2%. Mais 1% não respondeu e outro 1% não escolheu nenhuma das opções apresentadas pelo instituto.
A presença da violência no topo da lista confirma uma tendência que já aparecia em pesquisa Datafolha anterior, divulgada em 15 de outubro. Naquele levantamento, com pergunta aberta sobre o principal problema do país, 20% dos entrevistados citavam a violência, acima dos 17% registrados em julho e o maior porcentual desde 2023. A saúde vinha em segundo lugar, com 18%, e a economia, em terceiro, com 15%.
O corte de impostos entra na disputa pelo voto
O empate com a redução de impostos chama atenção porque o tema ganhou peso na campanha nas últimas semanas, em meio ao debate sobre endividamento das famílias e custo de vida levantado por Lula e Flávio Bolsonaro nos programas e debates de TV que antecederam o segundo turno. O resultado do Datafolha mostra que o eleitor reparte a cobrança entre segurança pública e alívio no orçamento doméstico ao pensar no mandato que começa em 2027.
Quem paga a conta da prioridade escolhida
Reduzir impostos e ampliar o combate à violência ao mesmo tempo exige dinheiro que o próximo governo não tem garantido no orçamento. Qualquer corte de arrecadação pressiona o espaço fiscal já disputado por áreas como saúde e educação, enquanto reforçar a segurança pública depende de recursos adicionais para policiamento, presídios e inteligência, atribuição dividida no Brasil entre União e estados. A pesquisa, divulgada às vésperas da votação de domingo (25), indica que o vencedor assume a Presidência sob pressão para entregar as duas promessas ao mesmo tempo, sem que o eleitor tenha indicado qual delas deve vir primeiro.


