Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) se enfrentaram na sexta-feira (23) no debate da TV Globo, marcado por ataques pessoais e por uma disputa sobre custo de vida, segundo a CNN Brasil. A emissora buscava um formato mais voltado a propostas, e a CNN avaliou que o confronto foi mais propositivo que o habitual, mas sem abrir mão das acusações cruzadas.
Os blocos trataram de custo de vida, endividamento, saneamento, saúde e segurança pública. A economia apareceu em quase todas as trocas, inclusive nas mais duras.
O embate sobre os 'nove dedos'
Flávio criticou a carga tributária e a inflação depois de ouvir Lula defender a tarifa zero nos fins de semana. Ele disse: "Se você dá com uma mão, tira com os nove dedos". A CNN registra que a expressão aludia ao dedo que Lula perdeu em um acidente de trabalho.
Lula reagiu e cobrou um pedido de desculpas. "Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos", afirmou. Flávio se desculpou, segundo a CNN, mas emendou outra crítica ao governo, sobre o aumento do número de moradores de rua.
Picanha, abóbora e o Google
No tema econômico, Flávio afirmou que o concorrente "prometeu picanha e entregou abóbora". Em seguida, perguntou a Lula se ele achava a comida barata para um povo endividado.
Em outro momento, Lula sugeriu que o adversário consultasse o Google sobre investimentos no Norte do país. Flávio devolveu com a pergunta de quem governa o Brasil, se Lula ou o Google. Lula disse que conhece o país e que o adversário não conhece, citou obras no Amazonas e repetiu a provocação do Google em outras ocasiões do debate.
O que fica para o eleitor indeciso
Lula também voltou à pandemia de Covid-19. Disse que Flávio e o pai estimularam a cloroquina e criticou a afirmação, atribuída por ele ao adversário, de que quem tomasse vacina viraria gay ou jacaré. A CNN não detalha a resposta de Flávio nesse trecho.
O subtítulo da matéria da CNN menciona ainda a relação de Flávio com Daniel Vorcaro, mas o texto publicado não desenvolve o ponto. Para o eleitor que ainda decide, o debate deixou duas linhas de argumento: de um lado, endividamento e preço da comida como falha do governo; do outro, a defesa das obras e a cobrança por respeito pessoal. Os dois candidatos voltam às ruas e às redes até o fim da campanha, antes da votação do segundo turno.



