O Itaú Unibanco fechou a compra de 100% da NeoSpace, startup de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões, segundo reportagem da Exame publicada em 27 de outubro de 2026. Um detalhe ficou de fora das primeiras coberturas do negócio: os fundadores da NeoSpace, Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs, já tinham vendido outra empresa ao mesmo banco, a Zup Innovation, em operação anunciada em 2019.
A Zup cresceu até reunir cerca de 3.500 funcionários antes de ser incorporada ao Itaú. Sete anos depois daquele acordo, o trio repete o roteiro com uma companhia diferente, fundada em 2024 e dedicada a modelos próprios de inteligência artificial para empresas. A NeoSpace levou menos da metade do tempo que a Zup para chegar a um comprador.
Como o Itaú já era sócio da NeoSpace
O banco não chegou à NeoSpace agora. No início de 2025, o Itaú investiu US$ 15 milhões em uma rodada de US$ 18 milhões e ficou com 15% do capital da startup. A aquisição anunciada agora leva a participação do banco a 100% e ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central, segundo a Exame.
A NeoSpace chama sua tecnologia de Data Foundational Models, termo usado pela própria empresa para descrever modelos que cruzam dados estruturados, como transações e tabelas, com dados não estruturados, como documentos e registros internos. O uso previsto inclui análise de risco de crédito, prevenção a fraudes, gestão financeira e relacionamento com clientes, áreas centrais da operação de um banco de varejo do tamanho do Itaú.
O trio que já vendeu empresa ao mesmo comprador
A repetição do negócio coloca Pierobon, Almeida e Debs em um grupo pequeno de empreendedores brasileiros que venderam mais de uma startup ao mesmo comprador. Na Zup, os três levaram anos para construir uma empresa que chegou a milhares de funcionários antes do acordo de 2019. Na NeoSpace, o caminho foi mais curto: a startup tinha apenas três anos de existência quando a venda foi fechada, e o Itaú já era sócio minoritário havia pouco mais de um ano.
A diferença de ritmo entre os dois negócios acompanha a mudança no tipo de empresa. A Zup prestava serviços de tecnologia com uma estrutura grande de funcionários. A NeoSpace nasceu como uma startup de inteligência artificial, segmento em que bancos brasileiros têm comprado participações e empresas inteiras para acelerar o desenvolvimento interno de modelos próprios.
Quem comanda a tecnologia dentro do banco
Bruno Pierobon permanece como CEO da NeoSpace após a conclusão do negócio, e a equipe da startup será mantida, segundo a Exame. A continuidade preserva dentro do Itaú a estrutura de pesquisa e desenvolvimento que o trio vinha montando desde o aporte de 2025, no momento em que o banco amplia o uso de inteligência artificial sobre sua base de clientes.
A operação ainda não tem data definida de conclusão, porque depende do aval do Cade e do Banco Central. Até a decisão dos dois órgãos, a NeoSpace segue operando com o comando que tinha antes do anúncio, enquanto o mercado financeiro acompanha se o padrão de vender ao Itaú vai se repetir numa terceira empresa dos mesmos fundadores.



